Posts Marcados Com: Touro de Creta

Minotauro

Μινώταυρος (Minótauros), Minotauro, é aparentemente um composto de Μίνως (Mínos), Minos e de ταῦρος (taûros), touro, donde “o touro de Minos”, mas também atribui-se como significado “homem-touro”.

Se, na realidade, Pasífae é a “lua cheia”, o Minotauro, filho da rainha de Creta, é um avatar da lua, cujo crescente se assemelha aos cornos do touro.

Engenho de Dédalo

Minos prometera sacrificar a Posídon o animal que aparecesse em suas praias. O deus marinho fez surgir um belo touro com chifres e cascos de ouro, mas Minos, ao ver o animal, quis tê-lo para si e sacrificou um animal qualquer. Então, a ira do deus caiu sobre Creta. O touro que era um animal dócil se transformou numa criatura cruenta que espalhava a destruição, conhecido como touro de Creta. Contudo, antes disso ocorrer, a rainha Pasífae foi tomada por uma paixão avassaladora pelo animal. Para que Pasífae pudesse satisfazer seus desejos incontroláveis pelo touro, que Posídon fizera nascer do mar, Dédalo construiu uma novilha de bronze. A rainha colocou-se dentro do simulacro e concebeu o Minotauro.

Labyrinth

O rei, assustado e envergonhado com o nascimento do monstro, filho da paixão de sua esposa, encarregou Dédalo de construir, no palácio de Cnossos, o famoso Labirinto, com um emaranhado tal de quartos, salas e corredores, com tantas voltas e ziguezagues, que somente o genial arquiteto seria capaz, lá entrando, de encontrar o caminho de volta. Pois bem, foi nesse “labirinto” que Minos colocou o horrendo Minotauro, que era, por sinal, alimentado com carne humana. Anualmente, outros dizem que de três em três ou ainda de sete em sete anos, sete moças e sete rapazes, tributo que Minos impusera a Atenas, eram enviados a Creta, para matar-lhe a fome. Foi então que Teseu, filho do rei ateniense Egeu, se prontificou a seguir para a ilha das Grandes Mães com outras treze vítimas.

Theseus and Ariadne and the Minotaur

Ariadne, Teseu e Minotauro

Uma vez no reino de Minos, o príncipe ateniense e seus companheiros foram imediatamente lançados no Labirinto. Ariadne, todavia, a mais bela das filhas do rei, apaixonara-se por Teseu. Para que o herói pudesse, uma vez intricado no covil, encontrar o caminho de volta, deu-lhe um novelo de fios, que ele ia desenrolando, à medida que penetrava no Labirinto. Ofereceu-lhe ainda uma coroa luminosa, a fim de que pudesse orientar-se nas trevas e não ser surpreendido pelo horripilante monstro biforme.

Teseu conseguiu matar a criatura antropófaga. Escapou das trevas com os outros treze jovens e, após inutilizar os navios cretenses, para dificultar qualquer perseguição, velejou de retorno a Atenas, levando consigo Ariadne.

O mito do Minotauro conserva a lembrança de um fragmento da gigantesca civilização minoica, que, a par do culto às Grandes Mães, mantinha igualmente o do touro, símbolo da fecundação, por causa do seu sêmen abundante. Nas escavações realizadas em Cnossos e em outras partes de Creta, a presença do touro é uma constante.

Quanto a Λαβύρινθος (Labýrinthos), Labirinto, provém, segundo parece, de λάβρυς (lábrys) e do sufixo pré-helênico -ινθος (-inthos), e significaria “bipene”. Labirinto seria, pois, “a casa bipene”, insígnia da autoridade.

Pasiphae and Minotauros

Passífae e Minotauro

          Minotauro

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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O Touro de Maratona

Em Maratona, um touro terrível e furioso espalhava a ruína e a desgraça. Era o touro que Héracles trouxera vivo de Creta para Micenas, no seu sétimo trabalho, conforme a ordem de Euristeu, que o deixou desavisadamente em liberdade. Desde então, centenas de pessoas perderam a vida, perfuradas pelos chifres do monstro. Entra elas estava também o herói Androgeu, filho do rei Minos. Todos diziam que matar ou capturar o animal era uma façanha quase impossível. Mas Teseu decidiu fazer isso.

Egeu, rei de Atenas, não queria que seu filho, Teseu, rumasse para uma tarefa tão perigosa, contudo não pôde impedi-lo. Então, deu sua benção e permitiu que  Teseu fosse a Maratona. O herói, cheio de coragem e otimismo, partiu para encontrar e matar o touro.

Na estrada, encontrou uma velhinha pobre e fraca, Hécale, que vivia só, isolada numa cabana miserável, no sopé do monte Pentélico. Teseu lhe falou de maneira afável, dividiu com ela sua refeição e, em seguida, contou-lhe para onde estava indo e por que razão. A boa velhinha tentou impedir o herói, mas sem êxito. Como não podia fazê-lo mudar de ideia, prometeu, apesar de ser tão pobre, sacrificar um carneiro a Zeus se pudesse ver Teseu retornar com vida. Na hora que ele se despediu, ela, vendo-o jovem assim, quase uma criança, acariciou-lhe a face. Queria muito beijá-lo como se fosse um filho, mas não pôde, pois o rosto estava molhado de lágrimas.

Entretanto, a pobre velhinha não conseguiu oferecer o sacrifício prometido a Zeus, porque, antes que o herói retornasse, ela já havia falecido. Teseu nunca se esqueceu daquela bondade. Mais tarde, ao tornar-se rei de Atenas, foi até o lugar onde havia encontrado Hécale e ergueu um templo,o templo de Zeus Hecáleo, como o chamou. Depois estabeleceu as hecáleas, festas e competições esportivas que aconteciam em memória da boa velhinha. Mas por que tudo isso? O que Teseu tinha ganhado de Hécale? Nada. Nada mesmo, se a bondade for medida sempre de acordo com o ganho material. Às vezes, porém, uma só lágrima ou um carinho na face valem muito mais do que parece. Bravo, Teseu, por haver estimado esses gestos! E eis que a memória de Hécale, perdurou, ainda que tenham se passado milhares de anos. Afinal, ainda hoje as pessoas chamam de Hécale o distrito que existe naquele lugar.

Teseu, assim como Héracles, capturou o touro vivo. Com seus braços, que mais pareciam duas tenazes de ferro, ele o agarrou pelos chifres, amarrou-o bem firme e, em seguida, o carregou até Atenas, arrastando-o em triunfo pelas ruas da cidade. Finalmente, levou-o para o alto da acrópole e o sacrificou no altar da deusa Atena, entre os gritos de alegria de todos os atenienses.

Theseus Taming the Bull of Marathon, by Charles-André Van Loo (~1730)

Teseu domando o Touro de Maratona, por Charles-André Van Loo (~1730).

Entretanto, as alegrias por todos esses agradáveis eventos foram logo esquecidas; negros dias chegavam, dias de lamento. O motivo era o seguinte: Três anos antes, quando Teseu ainda morava em Trezena, aconteceram em Atenas grandes competições atléticas. Na ocasião, veio, para competir com os ateniense o herói Androgeu, filho de Minos, o grande rei de Creta. Androgeu tomou parte em todas as competições e em todas saiu vitorioso. Esse fato, todavia, causou grande aborrecimento a Egeu e a todos os atenienses. Então, Egeu disse ao herói que se ele fosse realmente forte, então deveria ser capaz de matar o touro de Maratona.

Seguro de mais essa vitória tão importante, Androgeu correu a Maratona. Contudo, ao chegar lá, além de perder a luta com o terrível monstro, o filho de Minos perdeu a vida. Ao ficar sabendo disso, o grande rei Minos jurou vingança e, imediatamente, começou as preparações para uma guerra, guerra que só seria evitada com o acordo que Egeu aceitou com muito pesar:  enviar sete rapazes e sete moças mais seletas da cidade, anualmente, durante nove anos, para servir de alimento para o Minotauro.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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VII. O Touro de Creta

Herácles havia concluído metade dos trabalhos e Euristeu torturava-se pensando em uma tarefa que o herói não pudesse realizar. Outra vez, Hera veio em seu auxílio e aconselhou-o a mandar Héracles a regiões distantes, para trabalhos colossais. Todas as primeiras seis tarefas haviam sido no Peloponeso. As seis seguintes exigiriam longas e perigosas jornadas. E, de fato, o sétimo trabalho foi duplamente perigoso. Euristeu ordenou que Héracles fosse capturar o terrível touro que assolava a região de Creta e trazê-lo vivo para Micenas, pelo mar.


Sobre o Touro de Creta:
Este era um magnífico touro com chifres de ouro e cascos de bronze enviado por Poseidon à ilha de Creta, uma vez que o rei Minos prometera sacrificar um animal ao deus. Contudo, quando o rei viu  a portentosa criatura, não resistiu à tentação de possuir o animal para si e quebrou sua promessa, guardando-o em seus estábulos. Em lugar do touro de Poseidon, sacrificou um touro comum. O deus ficou profundamente ofendido. De repente, o magnífico touro, que até então fora manso, transformou-se num monstro ensandecido. Possuído pela vontade de destruir, atacava homens e animais, deixando um rastro de carnificina por onde passava.


O herói estava incumbido da tarefa de capturar a cruenta fera e levá-la vida para Micenas, através do amplo mar Egeu. Héracles navegou até Creta e foi pedir autorização ao rei Minos para realizar seu trabalho.

– Estou em pleno acordo – respondeu o rei -, mas duvido que o touro também esteja! E você está dizendo que quer levá-lo para Micenas pelo mar? Deve estar fora de seu juízo! Bem, espero que seja bem sucedido. De todo moto, não derramarei minhas lágrimas por você: um herói a menos não é uma grande perda para o mundo.

“Como todos esses reis me odeiam”, pensou Héracles, Euristeu, Áugias e agora Minos. Como sua tarefa era capturar o touro e levá-lo a Micenas, logo foi em busca do animal.

Não foi preciso muito tempo para encontrá-lo, e a luta começou na mesma hora, pois, assim que o touro avistou o herói, arremeteu-se com os chifres baixos. O estrondo dos seus cascos aproximando era suficiente para aterrorizar qualquer homem, porém Héracles continuou firme, jogando-se para o lado só no último momento, quando o touro finalizava a estocada. Em vez do alvo esperado, seus chifres encontraram apenas o ar e, como um raio, o horrendo animal se pôs de pé e, bramindo, tornou a investir contra o herói. Quando a cabeça do touro estava quase atingindo o alvo, Héracles segurou seus chifres e apertou-os como um torniquete de aço, impedindo subitamente o seu curso. Um tremor percorreu o corpo da fera, como se tivesse colidido contra um muro de pedra.

O-Touro-de-Creta

Com toda a sua força, Héracles empurrou a cabeça do touro para baixo até suas narinas rasparem no chão. O animal lutava raivoso, mas em vão. Por mais que tentasse, não conseguia erguer sua cabeça de novo. Seus cascos traseiros arranhavam desesperadamente a terra, tentando encontrar um ponto de apoio, mas nada podia desalojar o filho de Zeus ou fazê-lo perder o equilíbrio. Uma espuma borbulhava na boca do touro, cheio de raiva impotente, não havia nada que pudesse fazer. Em pouco tempo suas últimas forças esgotaram-se, e ele se entregou a seu oponente.

Héracles amarrou uma corda nos chifres do touro, que não pôde mais se libertar ou investir contra o herói. O temível Touro de Creta finalmente fora domado.

Assim, Héracles levou o touro para o mar. Agora, a tarefa que parecia impossível tinha se tornada subitamente fácil: em lugar de nadar para o Peloponeso com o furioso animal, Héracles fez justamente o oposto, sentou-se confortavelmente nas costas e deixou-se levar até lá.

Chegaram à costas e Héracles logo arrumou o touro no estábulo de Euristeu. Quando o rei soube que o terror de toda Creta estava em seu curral, gritou de desespero e mandou que seus homens o levassem para as montanhas, para tão longe de Micenas quanto pudessem. Héracles tinha vencido o touro e o trazido amarrado, e Euristeu o libertava novamente por pura covardia, pouco se incomodando com os prejuízos que isso pudesse trazer a seu povo.

Outra vez em liberdade, o touro tornou-se o terror do Peloponeso. Por fim, atravessou o istmo de Corinto e foi dar em Maratona, onde passou a assolar todos os campos da região. Conhecido a partir daí como o Touro de Maratona, estava destinado a ser morto por Teseu, o grande herói de Atenas.

B. Picart - The Cretan Bull, seventh labour of Heracles.

Héracles domando o Touro de Creta, por B. Picart (1731)

Referência:

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Bestiário

Anteu (gigante)
Argos
Aves do Estínfalo
Cavalos de Diomedes
Centauros
Cérbero
Ceto
Ciclopes
Corsa Cerinita
Coto (hecatônquiro)
Dragão da Cólquida
Egéon/Briareu (hecatônquiro)
Equidna
Esfinge
Fênix
Folos (centauro)
Gérion (gigante)
Giges (hecatônquiro)
Górgonas
Grifo
Hecatônquiros/Centimanos
Hidra de Lerna
Hipocampo
Javali de Erimanto
Javali do Cálidon
Ládon
Leão de Nemeia
Lélape
Mantícora
Medusa (górgona)
Minotauro
Nesso (centauro)
Ortro
Pégaso
Píton
Polifemo
Quimera
Quíron (centauro)
Raposa de Têumesso
Sátiro
Sereia
Talo (gigante)
Tífon
Touro de Creta
Touro de Maratona
Tritão

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Héracles – os doze trabalhos

Após cometer o terrível crime contra a sua prole, Héracles é incumbido de realizar doze grandes trabalhos a serviço do rei de Micenas, Euristeu, como meio de obter sua redenção e conseguir o perdão dos deuses.
São eles:

I. Leão de Nemeia
II. Hidra de Lerna
III. As aves do Estínfalo
IV. O Javali de Erimanto
V. A Corsa Cerinita
VI. Os estábulos de Áugias
VII. O Touro de Creta
VIII. Os cavalos de Diomedes
IX. O cinto de Hipólita
X. O gado de Gérion
XI. Os pomos das Hespérides
XII. Cérbero

Referência:

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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