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Nesso

Ânfora de Nesso, entre 625 e 600 a. C. , Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

Ânfora de Nesso (~625-600 a.C.), Museu Arqueológico Nacional de Atenas.

Νέσσος (Néssos), Nesso, poderia originar-se da raiz nek, “morrer”, através de nek-ios, “cadáver”, já que o corpo do Centauro, lançado por Héracles no rio Eveno, lhe poluíra as águas.

Como os demais centauros, Nesso era filho de Íxion e de Néfele, a “Nuvem”.

Participou da luta de seus irmãos contra Héracles, que estava hospedado na casa do pacífico Folos, que apesar de centauro, era de uma outra genealogia. Derrotados e perseguidos pelo herói, os filhos de Íxion tomaram direções várias, tendo Nesso se refugiado junto ao rio Eveno, onde passou a exercer o ofício de barqueiro.

Após o assassinato involuntário do copeiro Êunomo, Héracles deixou Cálidon com sua esposa Dejanira e com o filho Hilo, ainda muito jovem, e dirigiu-se para Tráquis, tendo para tanto que atravessar o rio Eveno. Apresentando-se o herói com a família, primeiramente o lascivo Centauro o conduziu para a outra margem (ou, segundo uma versão diferente, o filho de Alcmena atravessara o rio a nado) e, em seguida, voltou para buscar Dejanira. No meio do trajeto, como se recordasse da derrota que sofrera e da perseguição de que fora vítima, tentou, para vingar-se, violentar a esposa do herói, que, desesperada, gritou por socorro. Héracles aguardou tranquilamente que o barqueiro alcançasse terra firme e varou-lhe o coração com flechas envenenadas com o sangue da Hidra de Lerna.

Nesso, já expirando, entregou a Dejanira sua túnica manchada com o sangue venenoso da Hidra, segundo outra versão, ele convenceu Dejanira a coletar seu sangue com um frasco. Explicou-lhe que a indumentária seria para ela um precioso talismã, um filtro poderoso, com a força e a virtude de restituir-lhe o esposo, se por ventura este, algum dia, tentasse abandoná-la.

Mais tarde, após a vitória sobre Êurito, como o herói desejasse erguer um altar a seu pai Zeus, mandou seu companheiro Licas pedir à esposa que lhe enviasse uma túnica ainda não usada, como era de praxe em consagrações e sacrifícios solenes.

Admoestada pelo indiscreto servido do marido de que este certamente a esqueceria, por estar apaixonado por Íole, filha de Êurito, Dejanira lembrou-se do “filtro amoroso”, ensinado por Nesso e mandou ao esposo a túnica envenenada. Ao vesti-la, a peçonha infiltrou-se-lhe no corpo. Tentou arrancá-la, mas a indumentária fatídica se achava de tal modo aderente às suas carnes, que estas lhe saíram aos pedaços. Alucinado de dor, escalou o monte Era e lançou-se sobre uma fogueira perecendo carbonizado. Uma tradição diferente conta que o herói suplicou para que um de seus companheiros atirasse uma flecha na fogueira pondo-lhe fogo e que Filoctetes aceitou a tarefa em troca das flechas envenenadas com o sangue da Hidra. Héracles pereceu como mortal, mas Zeus apiedou-se de seu filho e cedeu-lhe lugar dentre os deuses.

Heracles and Nessus by Giambologna, (1599), Florence. 2

Héracles e Nesso, por Giambologna (1599).

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Bestiário

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Giges (hecatônquiro)
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Grifo
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Lélape
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Nesso (centauro)
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Píton
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Quíron (centauro)
Raposa de Têumesso
Sátiro
Sereia
Talo (gigante)
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IV. O Javali de Erimanto

Desta vez, Hera aconselhou Euristeu a mandar Héracles trazer o Javali de Erimanto vivo e contou-lhe sobre os perigos que o herói encontraria pelo caminho. O rei mesquinho esfregou as mãos de satisfação.


Sobre o Javali de Erimanto:
O javali era um animal feroz que sempre descia a montanha arruinando as plantações, aterrorizando e destruindo tudo que encontrava pelo seu caminho. Tinha esse nome porque viveu na famosa Erimanto, uma montanha de Arcádia. Ele era um monstro antropófago, podia causar abalos sísmicos e, com suas presas, era capaz de arrancar pela raiz uma árvore corpulenta e dilacerar homens ou animais que se interpusessem em seu caminho. 


Quando Héracles recebeu as novas ordens, logo ficou desconfiado. Ele sabia bem como se proteger. O problema era descobrir um modo de agarrar o animal vivo. Ainda remoendo o porquê daquele trabalho, o herói partiu para Erimanto. Em alguns dias, chegou ao sopé da montanha. Era noite, ele tinha parado numa fonte para beber água e descansar, quando ouviu algo se aproximando. Por estar escuro, ele pensou que se tratava de um cavaleiro. No entanto, quanto estava próximo, percebeu que não era um homem sobre um cavalo, mas sim um centauro – meio homem, meio cavalo. Seu nome era Folos.

Quando viu Héracles, Folos aproximou-se trotando, saudou o herói amistosamente e perguntou o que o mesmo fazia ali, naquele lugar selvagem. Héracles explicou por que estava ali. O centauro, contente em conhecer o herói, o convidou para ir à sua caverna cear e descansar um pouco.

Chegaram à caverna e Folos mostrou-se um bom anfitrião. Acomodou Héracles e servi-lhe uma boa refeição. O problema é que ele não ofereceu nada para o herói beber. Folos logo tratou de explicar que os centauros possuíam o mais fino vinho do mundo, e que não o ofereciam nem aos deuses. Porém, Folos decidiu fazer uma exceção e serviu duas taças de vinho: uma para si e outra para o herói. O vinho tinha um aroma adocicado único.

Enquanto bebiam, Hera fez com que uma leve brisa soprasse, e os vapores fortes flutuaram para fora da caverna indo até as narinas dos outros centauros. “Estão roubando o nosso vinho”, todos disseram em uníssono e disparam para a caverna a galopes. Folos ouviu o tropel dos irmãos se aproximando e entrou em desespero. Folos e Héracles dispararam para fora da caverna. Contudo os centauros já estavam lá e, ao verem um homem do lado de fora, ficaram ainda mais furiosos. Imediatamente se armaram com tudo que estava a seu alcance, alguns com pedras enormes, outros com troncos inteiros de ciprestes, arrancados na hora. Então, avançaram para a caverna e Héracles viu-se em perigo mortal.

Só um centauro, o sábio Quíron, tentou detê-los, mas foi em vão. Um instante depois, eles começaram a  arremessar grandes pedras, mas devido à distância, as mesma não atingiram o herói. Héracles puxou o seu arco e começou a atirar com força e precisão. Cada flecha derrubava um centauro como se fosse um raio. Quíron gritou que parassem, mas ninguém ouviu, e um após outro, foram caindo mortos. Quando os últimos sobreviventes viram o resultado inacreditável da rápida batalha, deram meia volta e se espalharam por todas as direções. Por fim, alguns se refugiaram-se em Maleia, enquanto outros, como o centauro Nesso, fixaram-se na região do rio Eveno.

Centauros

Embora todos os centauros ferozes tivessem sido mortos ou fugido do monte Erimanto, Héracles não estava feliz com a batalha, sentia um grande pesar. Porque uma das flechas do herói trespassara o braço de um centauro e atingira o velho Quíron no pé. Dentre todos os centauros, apenas Quíron era imortal; por isso o veneno da Hidra abriu-lhe uma ferida tão horrível, cuja a dor era insuportável e que jamais seria curada.

Como se não bastasse isso, o centauro Folos, intrigado, pegou uma das flechas para tentar entender como aquelas flechinhas mataram seus irmãos com tanta facilidade. Héracles gritou desesperado para que Folos largasse a flecha, e quando o fez, sofreu um arranhão na perna e caiu morto. Com grande pesar, o herói enterrou seu amigo centauro. Depois deixou aquele lugar funesto e, com o coração partido, seguiu seu caminho para o alto do Erimanto, em busca do javali selvagem. Agora ele compreendia por que Euristeu o tinha enviado para aquele lugar.

Depois de muito procurar, Héracles finalmente encontrou o rastro do animal. Era muito fácil matá-lo; o problema era pegá-lo vivo. O herói perseguiu o javali durante muitos dias e noites. Inúmeras vezes, perdeu o animal, esgotou-se procurando por ele e saiu de novo em seu encalço, tudo sem proveito algum.

Por fim, Héracles sentou-se e pensou. Força e velocidade nem sempre eram a resposta; a esperteza se fazia necessária. Subindo numa pedra alta, o herói examinou toda a área e percebeu que os picos da montanha estava cobertos de neve. Sua tarefa agora era conduzir o animal até lá. Assim, recomeçou a perseguir o javali, forçando-o a subir. Sempre que o animal tentava mudar de direção, Héracles atirava uma pedras em seu caminho. Finalmente, forçou o javali a entrar numa cavidade cheia de neve. As pernas pequenas e flexíveis do animal, enterradas na massa branca e foca, não puderam mais levá-lo adiante. Seu pesado corpo afundou na neve até o peito e ali ficou imerso, incapaz de mover-se.

Heracles vs. Erymanthian Boar

Assim, finalmente, Héracles pegou o javali, amarrou suas pernas juntas, colocou sobre os ombros de modo que o animal não o ferisse e levou-o para Micenas.

Com passos largos, Héracles passou pelos guardas nos portões do palácio e, por acaso, entrou direto até Euristeu. Quando os olhos do rei viram o herói com o javali selvagem nos ombros, ele deu um grito e suas pernas estremeceram. Então, desenrolou-se uma cena que se tornou o tema favorito dos antigos pintores de vasos da Grécia. Aterrorizado, o poderoso rei de Micenas deu um salto e jogou-se dentro de um grande vaso de barro. Como se nada estranho tivesse acontecido, Héracles continuou andando até que ele se curvou sobre a borda do recipiente, para que Euristeu pudesse ver o javali bem de perto, tão perto que o focinho do animal, com seus dentes afiados, quase tocou o rosto do rei mesquinho. Com medo, suou frio e tremeu feito vara verde. Se Euristeu tivesse avistado o Hades, não teria ficado tão amedrontado.

Javali de Erimanto

Euristeu aterrorizado dentro do vaso de barro

Referência:

STEPHANIDES, Menelaos. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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