Posts Marcados Com: Leão de Nemeia

Equidna

Ἔχιδνα (Ékhidna), Equidna, é um derivado de ἔχις (ékhis), “víbora, serpente”, que, etimologicamente, está bem próximo de όφις (óphis), “serpente”.

Echidna

Ela pariu outro incombatível prodígio nem par
a homens mortais nem a Deuses imortais
numa gruta cava: divina Víbora de ânimo cruel,
semininfa de olhos vivos e belas faces
e prodigiosa semi-serpente terrível e enorme,
cambiante carnívoro sob covil na divina terra
Aí sua gruta lá embaixo está sob côncava pedra
longe dos Deuses imortais e dos homens mortais,
aí lhe deram os Deuses habitar ínclito palácio.
Em Árimos sob o chão reteve-se a lúgubre Víbora
ninfa imortal e sem velhice para sempre.
Teogonia, vv. 295-305.

Equidna, segundo Hesíodo, era filha de Crisaor e Calírroe. Em outras variantes, seus pais são Fórcis e Ceto ou ainda Tártaro e Gaia. Equidna, a víbora, era concebida como mulher até a cintura e daí para baixo como serpente. Seu habitat era uma caverna da Cilícia ou o Peloponeso, onde foi morta por Argos de Cem-Olhos, pelo fato de o monstro devorar os transeuntes. Extremamente fértil, uniu-se a Tífon, monstro horrendo e foi mãe de outros tantos: Ortro, Cérbero, Hidra de Lerna, Quimera, Fix e Leão de Nemeia. Uma variante atribui-lhe igualmente como filhos o dragão da Cólquida, que, no bosque de Ares, guardava o Velocino de Ouro, bem como aquele outro temível que vigiava os pomos de ouro no Jardim das Hespérides.

Segundo ainda uma versão muito antiga, Equidna, tendo-se unido incestuosamente a seu filho Ortro, foi mãe da Fix, isto é, da Esfinge. Na perspectiva analítica do incesto, C. G. Jung retratou Equidna como imagem da mãe: “Bela e jovem mulher até a cintura, mas a partir daí uma serpente horrenda. Este ser duplo corresponde à imagem da mãe: na parte superior, a metade humana, bela e sedutora; na inferior, a metade animal, medonha, que a defesa incestuosa transforma em animal angustiante. Seus filhos são monstros, como Ortro, o cão de Gérion, aos quais Héracles matou. Foi com este cão, seu filho, que em união incestuosa, Equidna gerou a Esfinge. Este material é suficiente para caracterizar a soma de Libido que produziu o símbolo da Esfinge.”

Equidna traduz a prostituta apocalíptica, a libido que queima a carna e a devora. Mãe do abutre que roeu as entranhas de Prometeu, é ainda o fogo do inferno, o desejo excitado e sempre insaciável. É a Sereia devoradora, de cuja sedução Odisseu soube fugir.

Equidna (2)

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

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Cérbero

Κέρβερος (Kérberos), Cérbero, apesar de várias hipóteses formuladas, não possui etimologia segura. A aproximação com o sânscrito karbará-sárvara- “pintado, marchetado” tem sido posta em dúvida. O caráter monstruoso do animal e o fato de aparecer a partir de Hesíodo levam a pensar nu empréstimo oriental.

Héraclès, Cerbère et Eurysthée, hydrie à figures noires, v. 525 av. J.-C., musée du Louvre

Héracles, Cérbero e Euristeu, vaso etrusco (~525a.C.), Museu do Louvre.

Filho de Tífon e Equidna, tinha por irmãos o Leão de Nemeia, a Hidra de Lerna, Ortro, Ládon e de muitos outros monstros terríveis. Cérbero era imortal, Cão do Hades, um dos monstros que guardava o império dos mortos com uma vigilância permanente e lhe interditava a entrada dos vivos, mas, acima de tudo, se entrassem, impedia-lhes a saída. Se qualquer um se aproximasse dos portões, Cérbero o estraçalharia e o engoliria num instante.

Segundo Hesíodo, o espantoso animal possuía cinquenta cabeças e voz de bronze. A imagem clássica, porém, o apresenta como dotado de três cabeças, cauda de dragão, pescoço e dorso eriçados de serpentes sibilantes. O último dos trabalhos imposto por Euristeu a Héracles foi o de ir ao Hades e de lá trazer o monstro. Após iniciar-se nos Mistério de Elêusis, o herói desceu à outra vida. Plutão permitiu-lhe cumprir a tarefa, desde que dominasse Cérbero sem usar de armas. Numa luta corpo-a-corpo o filho de Alcmena o venceu e o trouxe meio sufocado até o palácio de Euristeu, que, apavorado, ordenou a Héracles que o levasse de volta ao Hades.

Cerberus

O cão do Hades representa o terror da morte, simboliza o próprio Hades e o inferno interior de cada um. É de se observar que Héracles o levou de vencida, usando apenas a força de seus braços e que Orfeu “por uma ação espiritual”, com os sons irresistíveis de sua lira mágica o adormeceu por instantes. Estes dois índices militam em favor da interpretação dos neoplatônicos que viam em Cérbero o próprio gênio do demônio interior, o espírito do mal. O guardião dos mortos só pode ser dominado sobre a terra, quer dizer, por uma violenta mudança de nível e pelas forças pessoais da natureza espiritual. Para vencê-lo cada um só pode contar consigo mesmo.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Leão de Nemeia

Herakles and the Nemean Lion. Attic white-ground black-figured oinochoe, ca. 520-500 BC. From Vulci

Héracles e o Leão de Nemeia, vaso ático ~520-500 a.C

Leão enorme e aterrorizante que viva nas florestas de Nemeia, nome de uma cidade e de um bosque na Argólida e foi o cenário do primeiro trabalho de Héracles. Seu tamanho era inacreditável, seus rugidos eram tão estrondosos quantos os raios de Zeus, sua força equivalia à força de dez leões comuns e sua pele era tão dura que nenhuma flecha, lança ou espada, por mais afiada que fosse, podia perfurá-la. O animal era filho de Tífon, o monstro que lutara contra o próprio Zeus, e da igualmente temível, Equidna, metade mulher, metade serpente. Esse leão possuía irmãos célebres e terríveis: Hidra de Lerna, Cérbero, Quimera, a Esfinge de Tebas e outros monstros horrendos, temidos até pelos deuses.

Criado pela deusa Hera ou à mesma emprestado pela deusa-Lua “Selene”, para provar Héracles, era uma temeridade dar-lhe caça. O monstro passava parte do dia escondido num bosque, perto de Nemeia. Quando deixava os esconderijo, o fazia para devastar toda a região, devorando-lhe os habitantes e os rebanhos. Entocado numa caverna, com duas saídas, era quase impossível aproximar-se dele.

Héracles atacou-o a flechadas, mas em Mighty_Herculesvão, pois o couro do leão era impenetrável. Astutamente, fechando uma das saídas, o filho de Alcmena o tonteou a golpes de clava e, agarrando-o com seus braços forte, o sufocou. Com o couro da criatura o herói cobriu os próprios ombros.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Bestiário

Anteu (gigante)
Argos
Aves do Estínfalo
Cavalos de Diomedes
Centauros
Cérbero
Ceto
Ciclopes
Corsa Cerinita
Coto (hecatônquiro)
Dragão da Cólquida
Egéon/Briareu (hecatônquiro)
Equidna
Esfinge
Fênix
Folos (centauro)
Gérion (gigante)
Giges (hecatônquiro)
Górgonas
Grifo
Hecatônquiros/Centimanos
Hidra de Lerna
Hipocampo
Javali de Erimanto
Javali do Cálidon
Ládon
Leão de Nemeia
Lélape
Mantícora
Medusa (górgona)
Minotauro
Nesso (centauro)
Ortro
Pégaso
Píton
Polifemo
Quimera
Quíron (centauro)
Raposa de Têumesso
Sátiro
Sereia
Talo (gigante)
Tífon
Touro de Creta
Touro de Maratona
Tritão

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I. Leão de Nemeia

Euristeu, rei de Micenas, era o encarregado de escolher as tarefas a serem realizadas por Héracles. Ele queria escolher algo tão perigoso e difícil de ser cumprido de forma que o herói jamais retornasse com vida. Após muito pensar, o rei fatigado caiu no sono. Enquanto sonhava, Hera apareceu e indicou para onde Héracles deveria ser mandado. Assim que acordou, Euristeu ordenou ao seu arauto, Copreu, que transmitisse a mensagem de que o primeiro trabalho seria matar o Leão de Nemeia. Héracles logo partiu para sua empreitada.


Sobre o Leão de Nemeia:
Leão enorme e aterrorizante que viva nas florestas de Nemeia. Seu tamanho era inacreditável, seus rugidos eram tão estrondosos quantos os raios de Zeus, sua força equivalia à força de dez leões comuns e sua pele era tão dura que nenhuma flecha, lança ou espada, por mais afiada que fosse, podia perfurá-la. O animal era filho de Tífon, o monstro que lutara contra o próprio Zeus, e da igualmente temível, Equidna, metade mulher, metade serpente. Seus irmãos eram a Hidra de Lerna, Cérbero, Quimera, a Esfinge e outros monstros horrendos, temidos até pelos deuses.


No caminho, Héracles encontrou um homem pobre chamado Mórloco, que se preparava para fazer um sacrifício aos deuses. O filho de Zeus então disse ao homem para que não fizesse o sacrifício ainda, contou-lhe sobre a tarefa de matar do Leão de Nemeia e pediu-lhe para que esperasse por seu retorno durante trinta dias. Caso ele não voltasse nesse período, o sacrifício seria também em honra à alma de Héracles. Dito isso, partiu para as montanhas sempre observando tudo atentamente. Encontrou uma oliveira silvestre de tronco maciço e resistente fazendo dele uma nova clava.

Após caminhar mais um pouco, fez uma pausa, pois lhe ocorreu que seria necessário resguardar toda a sua força para enfrentar o leão. Então foi para um lugar sossegado e ali dormiu por dez dias e dez noites. Acordou renovado e continuou a busca pelo animal. Caminhou por vários dias até encontrar um rastro de pegadas. Caminhou por mais vários dias, atravessou montanhas e finalmente topou com o leão. Héracles se escondeu atrás dos arbustos e posicionado pegou seu arco atirando um flecha na fronte do animal, que não sentiu nada. Atônito, pegou outra flecha e, disparando com o dobro de força, acertou-o na garganta. O intento foi mais uma vez sem sucesso. O leão que descansava por ali com um ar de tédio, levantou-se e foi embora tão rápido que o herói o perdeu de vista imediatamente.

Héracles examinou o lugar e logo encontrou o covil da criatura. Como já havia anoitecido, o herói escondeu-se atrás de uma rocha grande e pôs-se a esperar pelo animal que provavelmente só sairia ao amanhecer. Não foi o que ocorreu. Já era de tardinha e nada do leão quando, de repente, ouviu um poderoso rugido. Com um pouco de esforço foi possível ver o leão na montanha vizinha. Héracles ficou se perguntando como o animal tinha passado por ele, e ficou por três dias e três noites de guarda na entrada da cova, mas sem êxito. Quando já estava indo procurar na floresta, o leão, saindo da caverna, passou por ele e sumiu na mata. Só nesse momento lhe ocorreu que a caverna possuía outra entrada.

Quando se deu conta que o covil tinha duas entradas, Héracles encontrou e obstruiu a segunda entrada com grandes pedras e em seguida retornou para o seu posto. Não passou muito tempo e foi possível para ouvir os ferozes rugidos da criatura ensandecida quando se deparou com a sua passagem bloqueada. Instantes depois o leão passou correndo para dentro da sua morada a fim de liberar a outra entrada. Héracles que estava há dias no encalço da criatura leonina não podia permitir que a mesma fugisse novamente. Olhou ao redor, pegou alguns galhos secos, inflamou-os e arremessou-os caverna adentro.

O monstro logo surgiu com os olhos irritados por causa da fumaça e Héracles, que estava de prontidão, pegou sua clava e desferiu um golpe no crânio do animal com toda a força que possuía. A clava feita do tronco da oliveira ficou em pedaços. O leão estava um pouco atordoado. Essa era a chance que o herói precisava e sem perder tempo enlaçou o pescoço do monstro, que não resistiu por muito mais tempo e morreu sufocado. O primeiro trabalho estava quase concluído. Héracles precisava levar a prova do seu feito para o rei Euristeu. Pensou em levar o leão sobre os ombros, mas o caminho era longo e seria difícil voltar para Micenas carregando aquele enorme corpo. Astucioso, arrancou uma das garradas do animal e usou para cortar e retirar a pele indestrutível que ele jogou nas costas como se fosse um manto.

Estava na hora de regressar à Micenas. Na volta, ele avistou Mórloco preparando o sacrifício, pois já estava completando o trigésimo dia da partida de Héracles. Ele logo foi ao encontro de seu amigo para falar sobre a sua vitória sobre o Leão de Nemeia. Mórloco chorou de alegria ao ver que o herói voltou bem e que aquele monstro não causaria mais nenhum mal. Os dois cearam e realizaram um sacrifício em honra ao pai dos deuses e dos homens, Zeus. Héracles se despediu de Mórloco e seguiu rumo à Micenas.

 O herói apareceu nos portões do palácio coberto da cabeça aos pés com a pele do leão. Quando Euristeu pôs os olhos nele, tremeu de medo. Os guardas levaram a pele do leão para que o rei a visse e seu medo foi tanto que ele desfaleceu. Ao recobrar a consciência, ordenou para que entregassem a pele à Héracles, pois não queria vê-la outra vez.

 

Leão de Nemeia

Héracles sufocando o leão

Referência:

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Héracles – os doze trabalhos

Após cometer o terrível crime contra a sua prole, Héracles é incumbido de realizar doze grandes trabalhos a serviço do rei de Micenas, Euristeu, como meio de obter sua redenção e conseguir o perdão dos deuses.
São eles:

I. Leão de Nemeia
II. Hidra de Lerna
III. As aves do Estínfalo
IV. O Javali de Erimanto
V. A Corsa Cerinita
VI. Os estábulos de Áugias
VII. O Touro de Creta
VIII. Os cavalos de Diomedes
IX. O cinto de Hipólita
X. O gado de Gérion
XI. Os pomos das Hespérides
XII. Cérbero

Referência:

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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