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Reia

Rhea and Cronus, ca 475 - 425 BC, at Metropolitan Museum, New York City, USA.

Reia e Crono, pélica de figuras vermelhas (ca. 475-425 a.C), Museu Metropolitano de Nova York, EUA.

Ῥέα (Rhéa), Reia, talvez seu nome seja um epíteto da terra: ampla, larga, cheia, da raiz ureia, com o mesmo sentido. Seu nome também pode significar fluxo ou facilidade. Como esposa de Crono, ela representou o eterno fluxo do tempo e de gerações; como a Grande Mãe (Meter Megale), o “fluxo” era sangue menstrual, águas de nascimento, e leite.

Trata-se, em todo caso, de uma divindade minóica, de uma Grande Mãe cretense, que, no sincretismo creto-micênico, decaiu de posto, tornando-se não apenas esposa de Crono, mas sobretudo “atriz de um drama mitológico”, cuja encenação já se começou a ver com a fuga da deusa para a ilha de Creta e o estratagema da pedra.

Reia, uma das titânides, filha de Gaia e Urano, uniu-se ao irmão Crono, era a Rainha dos Céus, e foi mãe, segundo a Teogonia de Hesíodo, de seis filhos: Héstia, Deméter, Hera, Hades, Posídon e Zeus.

Instruído por um presságio de Gaia, Crono devorava todos os filhos, tão logo nasciam, porque sabia que um deles o destronaria. Grávida de Zeus, a deusa fugiu para a ilha de Creta e lá, secretamente, no monte Ida ou Dicta, deu à luz ao caçula. Envolvendo em panos de linho uma pedra, deu-a ao marido, como se fosse a criança e o deus, de imediato, a engoliu. Mais tarde, Crono foi obrigado a devolver todos os filhos à luz. Estes, comandados por Zeus, destronaram o pai.

Reia submetida a Crono pariu brilhantes filhos:
Héstia, Deméter e Hera de áureas sandálias,
o forte Hades que sob o chão habita um palácio
com impiedoso coração, o troante Treme-terra
e o sábio Zeus, pai dos Deuses e dos homens,
sob cujo trovão até a ampla terra se abala.
E engolia-os o grande Crono tão logo cada um
do ventre sagrado da mãe descia aos joelhos,
tramando-o para que outro dos magníficos Uranidas
não tivesse entre os imortais a honra de rei.
Pois soube da Terra e do Céu constelado
que lhe era destino por um filho ser submetido
apesar de poderoso, por desígnios do grande Zeus.
E não mantinha vigilância de cego, mas à espreita
engolia os filhos. Reia agarrou-a longa aflição.
Mas quando a Zeus pai dos Deuses e dos homens
ela devia parir, suplicou-lhe então aos pais queridos,
aos seus, à Terra e ao Céu constelado,
comporem um ardil para que oculta parisse
o filho, e fosse punido pelas Erínias do pai
e filhos engolidos o grande Crono de curvo pensar.
Eles escutaram e atenderam à filha querida
e indicaram quanto era destino ocorrer
ao rei Crono e ao filho de violento ânimo.
Enviaram-na a Licto, gorda região de Creta,
quando ela devia parir o filho de ótimas armas,
o grande Zeus, e recebeu-o Terra prodigiosa
na vasta Creta para nutri-lo e criá-lo.
Aí levando-o através da veloz noite negra atingiu
primeiro Licto, e com ele nas mãos escondeu-o
em gruta íngreme sob o covil da terra divina
no monte das Cabras denso de árvores.
Encueirou grande pedra e entregou-a
ao soberano Uranida rei dos antigos Deuses.
Tomando-a nas mãos meteu-a ventre abaixo
o coitado, nem pensou nas entranhas que deixava
em vez da pedra o seu filho invicto e seguro
ao porvir. Este com violência e mãos dominando-o
logo o expulsaria da honra e reinaria entre imortais.
Teogonia – Hesíodo

Na época romana, Reia, antiga divindade da Terra, acabou fundindo-se com Cibele. Reia simboliza a energia escondida no seio da Terra. Gerou os deuses dos quatro elementos. É a fonte primordial ctônia de toda a fecundidade.

 Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras, 1995.

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