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Óreas

Οὔρεα (Úrea), Óreas, “montanhas, montes”, personificados como filhos de Gaia e irmãos de Urano e Pontos, são em Hesíodo a “agradável habitação das Ninfas”.

Os Óreas foram os Protogenoi (deuses primordiais) ou Daimones rústicos (espíritos) para as montanhas. Cada um e cada montanha foi dito ter o seu próprio antigo deus barbudo. As Montanhas foram ocasionalmente representadas na arte clássica como homens barbudos velhos levantando-se entre os seus picos escarpados. Os dez ourea que nasceram de Gaia por partenogênese são:

Etna: O vulcão da Sicília (na Itália).
Atos: uma montanha da Trácia (norte da Grécia).
Hélicon: uma montanha da Beócia (na Grécia Central). Entrou em um concurso cantando com o vizinho Monte Cíteron.
Cíteron: uma montanha da Beócia (na Grécia Central). Entrou em um concurso cantando com o vizinho Monte Hélicon.
Nisa: uma montanha da Beócia (na Grécia Central). Nisa foi a ama do deus Dionísio.
Olimpo I:  montanha da Tessália (norte da Grécia), a morada dos deuses.
Olimpo II: montanha da Frígia (na Anatólia).
Óreos: montanha-deus do Monte Ótris, em Malis (Grécia central).
Parnaso: uma montanha da Beócia e Ática (na Centra Grécia).
Tmolo: uma montanha da Lídia (na Anatólia). Foi o juiz de um concurso musical entre Apolo e Pan.

Por sua altura e por ser um centro, a montanha tem um simbolismo preciso e significativo. Na medida em que a montanha é alta, elevada, vertical, aproximando-se do céu, é símbolo de transcendência; enquanto centro de hierofanias (manifestações do sagrado) e de teofanias (manifestações dos deuses), participa do simbolismo da manifestação. Como ponto de encontro entre o céu e a terra, é a residência dos deuses e o termo da ascensão humana. Expressão da estabilidade e da imutabilidade, a montanha, segundo os Sumérios, é a massa primordial não diferenciada, o Ovo do mundo. Residência dos deuses, escalar a montanha sagrada é caminhar em direção ao Céu, como meio de se entrar em contato com o Divino, e uma espécie de retorno ao Princípio.

Todas as culturas têm sua montanha sagrada. Moisés recebeu as Tábuas da Lei no Monte Sinai; Garizim foi e continua a ser um cume sagrado nas montanhas de Efraim; o sacrifício de Isaac foi sobre a montanha; Elias obtém o milagre da chuva nos píncaros do monte Carmelo (lRs 18,45); uma das mais belas pregações de Cristo foi o Sermão da Montanha (Mt 5,lsqq.); a transfiguração de Jesus foi sobre uma alta montanha (Mc 9,2) e sua ascensão, sobre o monte das Oliveiras (Lc 24,50; At 1,12) .

Os exemplos poderiam multiplicar-se. Acrescentemos, apenas, que o monte Olimpo era a morada dos deuses gregos; Dioniso foi criado no monte Nisa e Zeus o foi no Monte Ida. Montesalvat do Graal está situado no meio de ilhas inacessíveis.

Na realidade, Deus está sempre mais perto, quando se escala a montanha.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

THEOI: http://www.theoi.com/Protogenos/Ourea.html

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Belerofonte contra a Quimera: Pégaso é domado

O filho de Glauco, porém, não ficou desencorajado e rumou para a Grécia. Ao chegar, perguntou por toda parte onde vivia Pégaso, mas as pessoas o olhavam com estranheza, pois nenhum jamais vira o cavalo alado com os próprios olhos.

Pegasus 11


Sobre Pégaso:
Belíssimo cavalo alado, com asas grandes, que voava graciosamente pelos céus. Filho de Posídon e Medusa, nasceu, juntamente com o irmão gigante Crisaor, quando a górgona teve sua cabeça decapitada por Perseu. Pégaso era uma cavalo arisco e selvagem, pois gostava de voar livremente e não admitia ser montado por ninguém, fosse mortal ou imortal. 


“Se os homens não sabem”, pensou Belerofonte, “talvez o saibam as ninfas, as nereidas, as Musas!”. Com esse pensamento se pôs a caminho do Hélicon, a montanha de muitas fontes e densas florestas, onde se dizia que viviam várias dessas divindades. O herói subiu as encostas arborizadas, prosseguiu entre os vales frondosos e, depois de caminhar por bastante tempo, chegou a uma fonte. Milhares de plátanos ocultavam o céu e as encostas escarpadas; rochas rodeavam aquele lugar encantador, que parecia inexplorado… Mas eis que, em meio ao murmúrio da água e o gorjeio dos passarinhos, ouviram-se de repente alegres vozes femininas e canções. Vieram à mente do herói as Musas do Hélicon. Realmente, três moas lindíssimas, iguais a deusas, logo surgiram diante dele e ofereceram sua ajuda. Quando Belerofonte disse que queria encontrar Pégaso, as Musas ficaram surpresas:

– O que você pede não é nada fácil! Você não tem sorte. Se tivesse vindo um pouco mais cedo, o encontraria aqui! Esta fonte que está vendo foi ele próprio quem fez e, por isso, se chama Hipocrene. Ao bater sua pata na rocha, a água jorrou. Pégaso se encontra agora em Acrocotrinto, onde há uma outra fonte sua, criada da mesma maneira, chamada Pirene. Vá para lá e pode ser que o encontre. Apenas mantenha-se  a distância, porque Pégaso não deixa que ninguém se aproxime dele. Ainda que consiga chegar perto, não tente montá-lo! Ele é muito selvagem e, se quiser fazer isso, perderá a vida nessa vã tentativa!

Contudo. Belerofonte não desanimou. Satisfeito com as informações, despediu-se das Musas e tomou o rumo de Acrocorinto. A ideia  de libertar a terra de Iobates da fúria destruidora da Quimera lhe dava coragem, e o pensamento de cavalgar Pégaso o encantara tanto, que de modo algum lhe passou pela cabeça recuar diante do perigo.

Marchando para Acrocorinto, Belerofonte avistou um templo dedicado à deusa Atena. Entrou, pôs-se de pé em frente à estátua da deusa, reverenciou-a humildemente e pediu-lhe que o ajudasse a encontrar e domar Pégaso. Em seguida, como era tarde e o Sol já tinha se posto, esticou-se em um canto do lado de fora do templo. Cansado, logo pegou no sono. Em sonho, viu a própria deusa Atena, que segurava entre as mãos uma rédea dourada:

– Belerofonte, filho de Posídon! – disse ela – Saiba que Pégaso é seu irmão, uma vez que também é filho do deus do mar. Porém, não é por isso que vai deixar você montá-lo. Tome estas rédeas; são mágicas. Se as colocar em Pégaso, ele se tornará tão obediente a você quanto o mais calmo dos cavalos.

Belerofonte logo estava voando pelo céu montado em Pégaso. Era incrível. Era mágica, mas uma mágica que não era real, nem durou muito, pois logo o herói acordou e se viu deitado sobre a terra.

Desapontado por tudo não passar de um sonho, decidiu levantar-se, quando enxergou uma rédea ao seu lado. Era a mesma rédea dourada que a deusa lhe dera em sonho. Tomou-a nas mãos. Desta vez não era sonho! Ele realmente tinha em suas mãos rédeas mágicas, com as quais poderia domar Pégaso!

Imediatamente Belerofonte retomou seu caminho para Acrocorinto. Logo encontrou a fonte Pirene, escondeu-se atrás de um arbusto e esperou. A cada farfalhar das folhas, virava a cabeça, pensando ser o cavalo que procurava. De repente, um estranho barulho de bater de asas o fez olhar para o céu e lá estava Pégaso!

Bellerophon on Pegasus, Walter Crane (1892)

Belerofonte montando Pégaso, por Walter Crane (1892).

Belerofonte olhava encantado para ele. Percebeu que precisava se esconder melhor e abaixou-se atrás do arbusto. Em pouco tempo Pégaso desceu até a fonte, bem em frente ao esconderijo do herói.

Apesar de não ter visto Belerofonte, o cavalo percebeu que havia alguém por perto e ficou arisco. Olhando para a esquerda e para a direita, relincho alto, enquanto movia as asas de modo ameaçador. O herói não se acovardou, e ficou esperando que surgisse a oportunidade. Entretanto, não havia jeito de Pégaso se acalmar. Então, o herói pegou uma pedra e jogou-a por sobre o dorso do cavalo para dentro e um arbusto. Ao escutar o barulho no arbusto, Pégaso virou a cabeça naquela direção e, de orelhas em pé, tentou descobrir o que era, ficando quase imóvel. Como um raio, Belerofonte saltou de seu esconderijo e, antes que Pégaso pudesse fazer o menos movimento, passou-lhe as rédeas.

O cavalo, pego de surpresa, virou-se e viu que Belerofonte, naquele momento, o acariciava no pescoço enquanto segurava-o firme pelas rédeas. Ao compreender o que havia acontecido, o cavalo sequer procurou fugir; em vez disso, relinchou amigavelmente, demonstrando submissão. O selvagem Pégaso havia sido domado.

Jan Boeckhorst , Pegaso (1675-1680)

Pégaso, por Jan Boeckhorst (1675-1680), Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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