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Gérion

Heracles y Gerion

Héracles lutando contra Gérion, vaso ateniense 550-540 a.C., Museu do Louvre.

Γηρυών (Geryón) é um derivado do verbo γηρύειν (gerýein), “gritar, fazer ressoar, entoar”, donde “o que faz ouvir sua voz”, ou por ele ter sido um pastor ou porque o nome designava primitivamente o cão que lhe guardava os rebanhos. Gérion tinha uma voz de potência inacreditável. Contava-se que ela tinha a mesma intensidade do grito que Ares dera quando ferido na guerra de Troia – um urro tão estridente quanto o de dez mil guerreiros juntos.

Filho de Criasaor e Calírroe, era uma criatura monstruosa, composta por três corpos unidos na cintura. Tinha três cabeças, seis braços e andava tão pesadamente armado quanto três guerreiros, usando três elmos, numa das mãos usando uma espada, na segunda e na terceira, lanças e, nas outras mãos, protegendo-se com três escudos resistentes à mais afiada das lanças. Conforme o gigante se movia, suas armas se entrechocavam provocando o alarido de um exército em batalha.

Gérion vivia na Ilha de Erítia, localizada para além do grande Oceano, onde seu gago pastava. Gérion tinha um tipo de gado muito peculiar: de um tom avermelhado profundo, seus bois tinham cabeças nobres, testas largas e pernas esguias e graciosas. O gigante Êurito e o cão bicéfalo, Ortro, eram incumbidos de proteger o rebanho.

Em seu décimo trabalho, Héracles teve de levar esse valioso gado para Micenas. Na ocasião o herói lutou com os três monstros (Ortro, Êurito e Gérion), e todos foram mortos.

Geryon

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Ortro

OrtroὌρθρος (Órthros), Ortro, “o que está vigilante, alerta ao nascer do dia”, era o cão que ajudava a guardar o rebanho de Gérion na Erítia juntamente com o gigante Êurito. Filho de Tífon e Equidna, era irmão do Leão de Nemeia, da Hidra de Lerna e de Cérbero. Ortro tinha duas cabeças em cujas mandíbulas pronunciavam-se dentes pontiagudos e uma cuada que terminava numa cabeça de dragão.

Durante o décimo trabalho, o monstruoso cão de duas cabeças lançou-se contra Héracles com a intenção de estraçalhá-lo. O herói esquivou-se com um giro; quase não teve tempo de ver o que acontecia, e Ortro já pulara em cima dele. Se não fosse pela pele do leão, aqueles dentes terríveis teriam penetrado sua carne. Contudo, Héracles não perdeu a calma. Levantou sua clava e, quando o horrendo animal pulou outra vez, desferiu-lhe um golpe com tamanha força, que não foi necessário mais nenhum, pois a criatura caiu morta.

Orthrus dead at the feet of Geryon and Heracles, red-figure kylix, 510–500 BC, Staatliche Antikensammlungen

Ortro morto aos pés de Gérion e Héracles, 510-500 a.C., Coleções Estatais de Antiguidades, Munique.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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X. O gado de Gérion

Desta vez, Euristeu despacharia o herói para os mais remotos limites do mundo, para além do grande Oceano, à ilha de Erítia. Lá pastava o gado do gigante Gérion, e Héracles deveria trazê-los a Micenas. Gérion tinha um tipo de gado muito peculiar: de um tom avermelhado profundo, seus bois tinham cabeças nobres, testas largas e pernas esguias e graciosas.


GeryonSobre Gérion:
Γηρυών (Geryón) é um derivado do verbo γηρύειν (gerýein), “gritar, fazer ressoar, entoar”, donde “o que faz ouvir sua voz”, ou por ele ter sido um pastor ou porque o nome designava primitivamente o cão que lhe guardava os rebanhos. Gérion tinha uma voz de potência inacreditável. Contava-se que ela tinha a mesma intensidade do grito que Ares dera quando ferido na guerra de Troia – um urro tão estridente quanto o de dez mil guerreiros juntos. Filho de Criasaor e Calírroe, era uma criatura monstruosa, composta por três corpos unidos na cintura. Tinha três cabeças, seis braços e andava tão pesadamente armado quanto três guerreiros, usando três elmos e protegendo-se com três escudos resistentes à mais afiada das lanças. 


Esse era o adversário inominável que Héracles teria de enfrentar desta vez.

Sozinho, o herói partiu. Após cruzar as terras que hoje fazem parte da Itália, França e Espanha, chegou a Gibraltar. Nessa longa jornada, defronta-se com vário tipos de perigo – ladrões, monstros, animais selvagens – quase que a cada passo, e a todos enfrentaria, aniquilando seus males. Embora árdua, a viagem foi proveitosa, porque agora as regiões pelas quais ele passara tinham se tornado seguras para os viajantes.

 Naquela época não havia, em Gibraltar, ligação do mar Mediterrâneo com o grande Oceano, a oeste. Héracles decidiu abrir um largo canal para a passagem de navios e trabalhou firmemente nessa tarefa. Quem passa pelo estreito hoje pode ver dois grandes rochedos, um de cada lado. Diz-se que se formaram com as pedras que Héracles empilhou nas duas margens. Por esta razão, tais pedras imensas foram nomeadas Colunas de Héracles.

Terminou o serviço pingando suor, pois o sol estivera insuportável durante todo o dia. Enfurecido com o deus Sol, Hélios, empunhou seu arco para amedrontá-lo, e o deus do dia, que estava terminando sua caminhada pelo céu e subindo em seu barco de ouro, se pronunciou:

– Abaixe seu arco, Héracles – disse Hélios sem rancor, ao contrário, admirando o herói por sua coragem. Com voz bondosa, prosseguiu: – Diga-me em que direção você está indo e, se quiser minha ajuda, a terá.

Héracles contou ao deus para onde ele estava indo, o que tinha de fazer e pediu o barco emprestado. Hélios sorriu e emprestou o barco de boa vontade.

O barco de Hélios transportou o herói rapidamente até Erítia, onde Héracles amarrou-o a um rochedo e saltou para a terra. Nem deu dois passos e um latido feroz o surpreendeu. Era o temível Ortro, cão bicéfalo.


OrtroSobre Ortro:
Ὄρθρος (Órthros), “o que está vigilante, alerta ao nascer do dia”, era o cão que ajudava a guardar o rebanho de Gérion. Filho de Tífon e Equidna, era irmão do Leão de Nemeia, da Hidra de Lerna e de Cérbero. Ortro tinha duas cabeças em cujas mandíbulas pronunciavam-se dentes pontiagudos e uma cuada que terminava numa cabeça de dragão.


O monstruoso cão de duas cabeças lançou-se contra o herói com a intenção de estraçalhá-lo. Héracles esquivou-se com um giro; quase não teve tempo de ver o que acontecia, e Ortro já pulara em cima dele. Se não fosse pela pele do leão, aqueles dentes terríveis teriam penetrado sua carne. Contudo, Héracles não perdeu a calma. Levantou sua clava e, quando o horrendo animal pulou outra vez, desferiu-lhe um golpe com tamanha força, que não foi necessário mais nenhum.

Eliminara-se a primeira ameaça. Em seguida, Êurito chegou correndo.


Sobre Êurito:
Εὔρυτος (Eúrutos), talvez provenha de εὐ (eû), “bom, bem” e do verbo ἐρύειν (erýein), “puxar, esticar”, donde “o que atira bem com o arco”. Um gigante, pastoreava do gado de Gérion junto de Ortro.


Esse pastor de Gérion era um gigante com o dobro do tamanho de Héracles e com uma força semelhante a dele. Tendo visto Ortro tombar, preparou-se para arremessar contra o herói uma pedra enorme. Um único instante de hesitação e teria sido o seu fim. Mas uma flecha certeira atingiu m cheio o peito do pastor, e a pedra que ele erguera escorregou, esmagando-o.

Héracles arrebanhou o gado apressadamente e o conduziu ao barco. Posto que Gérion não aparecera, o melhor seria partir sem dar com ele. Entretanto, um dos pastores de Plutão testemunhara o ocorrido e avisou o gigante, que correu para recuperar seu gado e punir o homem que ousara pegá-lo sem primeiro lutar com o dono.

 Quando Héracles pôs os olhos em Gérion, ficou estático. Era uma visão de fazer temer os mais valentes. Numa das mãos, uma espada; na segunda e na terceira, lanças. Em seus outros braços prendiam três escudos. Conforme o gigante corria, suas armas se entrechocavam provocando o alarido de um exército em batalha. Quanto mais perto se via, mais terríveis pareciam seus gritos! Parecia que o céu desmoronava. Qualquer um, exceto Héracles, teria fugido.

Até mesmo a coragem do herói oscilou naquele momento. Mas, resoluto, empunhou seu arco, apontou com cuidado e disparou. Aquela flecha foi o começo do fim do temível gigante: uma de suas cabeças e o grande peito que a suportava tombaram sem vida para um lado; dois braços caíram hesitantes, enquanto uma lança e um escudo batiam ruidosamente no chão. Então Gérion tentou arremessar a segunda lança contra Héracles, mas seus braços mortos estavam no caminho e o lançamento foi fraco. A chance do herói se configurou: erguendo a clava, desferiu um golpe esmagador numa das cabeças do monstro. Gérion tombou morto em meio ao ruidoso choque de armas e armaduras contra o chão.

Tratava-se, sem dúvida, de uma vitória maior do que Hércules esperava obter. Agradecendo à deusa Atena, que se mantivera firme a seu lado, o herói levou o gado de Gérion a bordo e zarpou de volta para leste, através do Oceano. Quando chegou à outra costa, devolveu o barco a Hélios, agradeceu-lhe e iniciou a dificultosa viagem de volta a Micenas.

Quando atravessava as terras das atuais Espanha e França pelo sul, dois bandidos roubaram e fugiram com seu gado. Héracles caçou-os, matou-os e reouve os animais. Mais adiante na estrada, o irmão deles, Lígis, rei da Ligúria, atacou-o com um exército inteiro. Ele não só queria o gado, como também vingar a morte dos irmãos. Que luta desigual! Héracles lutava sozinho, seu estoque de flechas acabou logo e, o pior de tudo, no solo em volta não havia uma única pedra. Jamais estivera tão vulnerável. Ferido em vários lugares, sua morte afigurava-se iminente, mas o herói resistia por conta de uma esperança.

– Pai Zeus! – ele invocou. – Até agora eu não pedi sua ajuda, mas neste momento preciso dela mais do que nunca. Ajude-me a derrotar meu inimigos!

O poderoso Zeus, com grande amor pelo filho, enviou do céu uma chuva de pedras. Héracles pôs-se a arremessá-las sofregamente contra seus inimigos, salvando a si e ao gado. De fato, em Marselha e a desembocadura do rio Ródano, há hoje uma faixa de terra chamada Planície Pedregosa, que se parece com o lugar da batalha.

Deixando a região da França para trás, Héracles entrou com seu gado na península Itálica, seguindo para o leste. Quando passava pela região na qual mais tarde Roma seria construída, topou com o gigante Caco, que lhe roubou oito dos melhores touros e novilhas e, para sumir com a marca de seus cascos, puxou-os pela cuada, escondendo-os numa caverna.

Não muito tempo depois, um dos animais mugiu e Héracles encontrou o esconderijo. Caco havia bloqueado a entrada da caverna com pedras que pareciam irremovíveis. O herói conseguiu desalojar o sustentáculo do teto da caverna, que ficou, então, descoberta. Mas, quando acabou de fazer isso, Caco saiu da escuridão. Era um gigante horrivelmente disforme, com línguas de fogo saindo pela boca. A despeito de seu horror, Héracles atacou-o imediatamente, enquanto Caco tentava queimá-lo. Um golpe de espada rápido e mortal furou o pescoço do gigante, apagando-lhe as chamas instantaneamente e afogando-o em seu próprio sangue. Reouve, ainda uma vez o gado que lhe fora roubado e seguiu com o rebanho.

As dificuldades, porém, não tinham terminado. Adiante, um dos animais desgarrou-se, pulou no mar e nadou até a Sicília. Teria sido impossível para Héracles ir em busca do animal perdido, se Hefesto não aparecesse oferecendo-se para tomar conta do rebanho até seu regresso.

Assim, Héracles atravessou para a Sicília, onde encontrou o animal desgarrado no rebanho do rei Érix, contra quem deveria se bater, se quisesse ter de volta o que fora buscar. Como jamais fora derrotado, Érix estava certo de que ficaria com o animal.

Héracles lutou com o rei e o imobilizou. Mas Érix se recusou a admitir que tinha perdido e negou-se a devolver o animal. Então, Héracles lutou com ela pela segunda vez, tornou a vencê-lo e ainda assim não obteve o cumprimento da promessa. Na terceira luta, Érix morreu. Héracles pôde, enfim, recuperar o animal.

Depois de tantos confrontos, o herói finalmente aportou na Grécia e já bem próximo de Micenas. Mas, justamente quando as dificuldades pareciam ter chegado ao fim, Hera enviou moscardos para atacar o rebanho. Suas picadas venenosas fizeram os animais se dispersarem em todas as direções. O incansável herói perseguiu-os pelas montanha da Trácia e para além do Helesponto. A perseguição foi longa e tremendamente penosa, entretanto Héracles logrou reunir o rebanho, retomando seu objetivo. Mas… chegando ao rio Estrímon, viu-se de novo em maus lençóis: o rio era tão largo e fundo que os animais não poderiam atravessá-lo. Héracles ficou indignado com o deus do rio e lançou tantos seixos em seu leito que ele deixou de ser navegável.

Transpunha-se o obstáculo final do trajeto, embora, diga-se, faltasse muito para chegar a Micenas. A distância não era nada, comparado ao que enfrentara até ali. Héracles seguiu solenemente ao longo do último grande trecho do caminho para casa.

Agora Euristeu era o dono de um maravilhoso rebanho, e isso não lhe deu prazer algum. Ele se sentiu tão miserável com mais esse retorno de Héracles que sacrificou todo o gado em nome da deusa Hera. Pensar que ele enviara Héracles para os confins da Terra, em meio aos piores perigos e enfrentando os mais terríveis monstros, para depois vê-lo voltar vitorioso, era algo insuportável. E agora, aonde enviá-lo?

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O gado de Gérion, por Pierre Salsiccia

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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