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Dânae

Δανάη (Danáē), Dânae, o nome está relacionado com a raiz indo-europeia dānu, “água”, pelo fato de a heroína ter sido lançada ao mar com o filho Perseu.

Dânae é filha do rei de Argos, Acrísio e de Eurídice, esta, filha de Lacedêmon e de Esparto. Há outra tradição que faz de Dânae filha de Aganipe.

Desejando, além de Dânae, um filho homem, preocupado por não ter sucessor e querendo saber se um dia teria um filho varão, o rei foi consultar o Oráculo de Delfos. Apolo lhe deu a seguinte resposta:

– Ouça, Acrísio, filho de Abas! Você nunca terá um filho homem a que possa ceder o reino, mas no lugar dele reinará um grande herói nascido de Dânae. Fique sabendo de uma coisa: está escrito pelo destino que esse neto o matará!

A fecundação de Dânae, por Klimt. 1907

A fecundação de Dânae (1907), por Gustav Klimt.

Acrísio, ao ouvir aquilo, ficou arrasado, Tinha agora outra preocupação em mente: escapar de seu destino. Para conseguir isso, seria capaz de qualquer coisa. O único problema era assegurar-se de que não teria nenhum neto. Assim, mandou construir uma prisão subterrânea com pesadas portas de bronze e lá enclausurou sua filha, em companhia de sua ama. Acreditava que assim a impediria de se casar e ter um filho.

No entanto, quem se apaixonou pela beleza de Dânae foi o próprio Zeus, e prisão alguma era capaz de impedir o soberano dos deuses e dos homens de realizar sua vontade. Zeus entrou na escura e “inviolável” prisão de Dânae, passando pelas frestas da janela, sob a forma de uma chuva de ouro. Depois de nove meses, a filha de Acrísio deu à luz Perseu.

No dia em que o rei tomou conhecimento da existência do neto, encerrou-o juntamente com a mãe num cofre e mandou expô-los ao mar. Pouco tempo depois, na ilha de Sérifos, um pescador de nome Díctis estava a pescar num lugar que até então não conhecia. Com a ajuda da deusa Atena, confeccionara as primeiras redes do mundo. Quando começou a puxá-las de dentro do mar, viu que traziam um caixote. Tomado de curiosidade, puxou a caixa com força até a areia. Era um baú todo trabalhado, com fortes amarras de bronze. Tentou abri-lo, mas não era fácil; o baú estava muito bem fechado. Díctis, porém, não desistiu. Desfez as amarras uma a uma, até que, por fim, despregou-lhe a tampa.

Dânae por Waterhouse (1892). Dânae e seu filho, Perseu, são lançados ao mar.

Dânae (1892), por Waterhouse.

Atônito, deparou com duas formas humanas fracas: uma mulher e um bebê. Eram Dânae e Perseu. Acrísio os havia trancado e jogado ao mar, a fim de sufocá-los. Díctis os ajudou a recobrar as forças e, em seguida, recebeu-os em sua casa. Ofereceu um quarto a Dânae e cuidou para que nada lhe faltasse na criação do filho.

O rei daquela ilha, Polidectes, era irmão de Díctis, mas o que este tinha de bondoso e compassivo, o irmão monarca tinha de duro e cruel. Assim que viu Dânae, ficou admirado com sua beleza e quis tomá-la por esposa. Diante da recusa, ele não só insistiu, como também passou a ameaçá-la.

Os anos se passaram e Perseu tornou-se um jovem esbelto, cuja beleza, inteligência e força não tinham rivais. Polidectes jamais desistia de Dânae, mas agora tinha de enfrentar, além da recusa da própria, também a resistência de Perseu, que defendia a mãe.

O rei Polidectes decidiu se livrar de Perseu. Imaginava que assim Dânae não apenas ficaria desprotegida, como também sofreria uma imensa solidão e não teria mais forças para resistir às pressões. Então arquitetou um plano e mandou o jovem herói buscar a cabeça de Medusa, missão de que o herói jamais regressaria, segundo pensava o rei tirano.

Uma variante atesta que foi Díctis quem levou a princesa à corte de Polidectes, que a ela se uniu e cuidou da educação do menino.

A seguir a primeira versão, mais difundida por sinal, o rei, na ausência de Perseu, tentou violentar-lhe a mãe. Em seu retorno glorioso, o herói encontrou Dânae e Díctis abraçados à lareira do palácio, tentando escapar das ameaças violentas do tirano. Perseu mostrou-lhe a cabeça de Medusa e o petrificou, bem como a seus cortesãos. Entregou, em seguida, o trono de Sérifos a Díctis e deixou a ilha em companhia de Dânae, que voltou a Argos para viver em companhia de sua mãe Eurídice.

Perseu, no entanto, seguiu à procura de Acrísio. Este, sabedor de que o neto desejava conhecê-lo, e com a sentença do Oráculo a perturbar-lhe a paz, fugiu em segredo para Lárissa, na Tessália. Não muito tempo depois, realizaram-se  em Lárissa grandes competições atléticas, das quais tomaram parte muitos atletas e heróis de toda a Grécia. Perseu também participou, competindo no arremesso de disco. Contudo, o disco arremessado pelo herói foi parar tão longe, que ultrapassou os limites do estádio e caiu na cabeça de um passante, matando-o. Esse infeliz transeunte não era outro senão Acrísio. Dessa maneira, realizou-se o oráculo que previa o seu assassinato pelas mãos do neto.

Léon-François Comerre's Danaë and the Shower of Gold, 1908.

Dânae e a chuva de ouro (1908), por Léon-François Comerre.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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Perseu: cumpre-se o oráculo

Ao retornar a Argos, seu avô, Acrísio, havia desaparecido. Por medo de que o antigo oráculo se tornasse realidade, abandonou o trono e fugiu em segredo para Lárissa, na Tessália. Perseu tornou-se rei da cidade.

Não muito tempo depois, realizaram-se  em Lárissa grandes competições atléticas, das quais tomaram parte muitos atletas e heróis de toda a Grécia. Perseu também participou, competindo no arremesso de disco. Contudo, o disco arremessado pelo herói foi parar tão longe, que ultrapassou os limites do estádio e caiu na cabeça de um passante, matando-o. Esse infeliz transeunte não era outro senão Acrísio. Dessa maneira, realizou-se o oráculo que previa o seu assassinato pelas mãos do neto.

Perseu retornou a Argos extremamente triste. Não queria reinar no trono do avô que, sem querer, havia matado. Na vizinha Tirinto, o rei era Megapentes, filho de Preto, e a imensa inimizade entre Preto e Acrísio não fora herdada por Perseu e Megapentes. Sendo grandes amigos, concordaram em trocar seus reinos.

Perseu também é conhecido por ser o fundador e primeiro rei de Micenas, a mais rica, brilhante e poderosa cidade dos tempos míticos. Quando certa vez encontrou um bom sítio, um pouco além de Tirinto, resolveu fortificá-lo com um castelo e transferir para lá a sua capital. Os ciclopes o ajudaram muito na construção da cidade: eram os únicos, dizem, que poderiam erguer rochas colossais como aquelas que vemos nas muralhas de Micenas, as muralhas ciclópicas, como são chamadas desde então.

Perseu e Andrômeda viveram muitos anos e tiveram sete filhos. O mais velho deles, Perses, se tornou o primeiro rei dos persas e fundador desse grande povo. O segundo filho, Eléctrion, tornou-se mais tarde rei de Micenas. Sua filha, Alcmena, gerou Héracles, o grande herói da Grécia.

Todos esses fundadores, reis e heróis, descendem da linhagem do deus-rio Ínaco, o fundador e primeiro rei de Argos. Se colocarmos essas grande linhagem em ordem, para ver como chegamos a Perseu e Héracles, teremos: primeiro Ínaco, em seguida Io, depois Épafo, e então Líbia, Belo, Dânao, Hipermnestra, Abas, Acrísio, Dânae e Perseu. Depois virão Eléctrion, Alcmena e, finalmente, Héracles.

Sidney_Hall,_Perseus_and_Caput_Medusæ,_1825

Constelação de Perseu (1825) por Sidney Hall.

Perseu e Andrômeda reinaram em Micenas pacificamente e, quando morreram, não foram para o escuríssimo Hades, mas subiram ao céu, pois assim quis o pai de Perseu, o grande Zeus. Ainda hoje, qualquer um pode achar a constelação de Perseu, ao lado da constelação de Andrômeda. Um pouco mais além, encontram-se as de Cefeu e Cassiopeia, porque Andrômeda, quando morreu, ficou amargurada por não haver revisto os pais desde que se casara e, então, Zeus, o grande soberano do céu e da Terra, colocou Cefeu e Cassiopeia nas estrelas, ao lado da filha.

Sidney_Hall_-_Urania's_Mirror_-_Gloria_Frederici,_Andromeda,_and_Triangula

Constelação de Andrômeda por Sidney Hall.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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Belerofonte, o neto de Sísifo

Julius Troschel  Bellerophon and Pegasus - 1840-50

Belerofonte e Pégaso, por Julius Troschel (1840-50)

Com a morte de Sísifo, seu filho Glauco subiu ao trono de Corinto. O herói Belerofonte era filho de Glauco. Esse glorioso herói chamava-se Hipónoo no princípio, mas esse nome foi esquecido quando, ainda muito jovem, matou um terrível ladrão que havia se tornado o terror de toda Corinto. O nome desse malfeitor era Belero. Depois dessa inacreditável proeza, todos passaram a chamá-lo Belerofonte, “o matador de Belero”.

Embora o feito do jovem herói tenha trazido um grande alívio para todos, o deus da guerra zangou-se com ele e exigiu seu castigo. Belerofonte foi então obrigado a fugir de Corinto e abrigou-se na vizinha Tirinto. Era a época em que naquela cidade reinava Preto, filho de Abas (e irmão de Acrísio, o avô de Perseu), que o recebeu de bom grado. Belerofonte se pôs a serviço do rei e, com zelo e abnegação, executava os seus mais difíceis mandados, surpreendendo-o frequentemente.

O filho de Glauco, que era belo como um deus, provocou também a admiração da rainha Estenebeia, admiração que logo tornou-se um amor irreprimível. Um dia, na ausência de Preto, Estenebeia não hesitou em falar com o belo jovem. Belerofonte recusou o seu amor. Como poderia se comportar de maneira tão vil com o homem que o havia acolhido e ajudado com tanta diligência?! Se nobre coração não admitia isso. No entanto, a rainha ficou terrivelmente zangada, e o amor se transformou em um ódio fatal. Agora já não pensava em mais nada, a não ser em como poderia achar um meio de liquidá-lo. Enfim, sem qualquer hesitação, foi até Preto e lhe disse que o homem que ele havia acolhido em seu palácio tentou desonrá-la. Preto ficou estupefato. Afinal, por mais estima que tivesse por seu hóspede, não podia imaginar que fosse possível sua mulher contar uma mentira como aquela.

O peito de Preto se insuflou de raiva. A rainha disse que a única solução era matar o jovem herói. Mas, ao ouvir essas palavras, o rei ficou muito pensativo. Leis sagradas proibiam que se desse tal castigo a um hóspede. Entretanto, não tardou a encontrar uma maneira de satisfazer o desejo da mulher: em vez de ele mesmo matar Belerofonte, o pai de Estenebeia, Iobates, rei da Lícia, poderia fazê-lo.

Assim, sentou-se e pôs-se a escrever estas palavras: “Aquele que lhe traz esta carta tentou desonrar sua filha, por isso deve morrer.” Em seguida, selou-a e a entregou a Belerofonte, para que a levasse a Iobates. Sem desconfiar de nada, o inocente jovem pegou a carta e rumou a Lícia.  Ao chegar, de carta na mão, apresentou-se a Iobates. Este, contudo, ao saber que o rapaz era enviado de seu genro, ficou tão feliz que abandonou a carta num canto e o recebeu com festas e horarias que duraram nove dias inteiros.

No décimo dia, Iobates decidiu ler o que Preto lhe havia escrito e, então, sumiu-lhe toda a alegria, e seu rosto endureceu. Era inacreditável! O homem que ele acolheu em sua casa com tanto entusiasmo havia ultrajado descaradamente a sua filha?! Todavia, não quis matar Belerofonte pessoalmente, pelas mesmas razões de Preto.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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Perseu

Περσεύς (Perseús), Perseu, o nome era aproximado etimologicamente pelos lexicógrafos antigos do verbo πέρθειν (pérthein), “devastar, destruir”. A hipótese mais provável é de que o antropônimo seja Περσέπολις (Persépolis), “o destruidor de cidades”, ou um termo de substrato, um nome pré-helênico, que significaria simplesmente “a terra”.

Linceu e Hipermnestra

O destino das danaides

Acrísio e Preto: a inimizade entre irmãos

O nascimento de Perseu

Perseu contra Medusa: preliminares

Perseu contra Medusa

Perseu e Atlas

Perseu e Andrômeda

Perseu e Polidectes

Perseu: cumpre-se o oráculo

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O nascimento de Perseu

Acrísio se casou com Aganipe e teve uma única filha, a Dânae. Preocupado por não ter sucessor e querendo saber se um dia teria um filho varão, o rei foi consultar o oráculo de Delfos. Apolo lhe deu a seguinte resposta:

– Ouça, Acrísio, filho de Abas! Você nunca terá um filho homem a que possa ceder o reino, mas no lugar dele reinará um grande herói nascido de Dânae. Fique sabendo de uma coisa: está escrito pelo destino que esse neto o matará!

Acrísio, ao ouvir aquilo, ficou arrasado, Tinha agora outra preocupação em mente: escapar de seu destino. Para conseguir isso, seria capaz de qualquer coisa. O único problema era assegurar-se de que não teria nenhum neto. Assim, mandou construir uma prisão subterrânea com pesadas portas de bronze e lá trancou sua filha. Acreditava que assim a impediria de se casar e ter um filho.

No entanto, quem se apaixonou pela beleza de Dânae foi o próprio Zeus, e prisão alguma era capaz de impedir o soberano dos deuses e dos homens de realizar sua vontade. Zeus entrou na escura prisão de Dânae, passando pelas frestas da janela, sob a forma de uma chuva de ouro. Depois de nove meses, a filha de Acrísio deu à luz Perseu.

Danae and the Shower of Gold, by Adolf Ulrik Wertmüller 1787

Dânae e a chuva de ouro, por Adolf Ulrik Wertmüller (1787)

Poucos dias depois, Acrísio, passando por perto da prisão, escutou um choro de bebê. Embora pensasse que seus ouvidos o enganavam, abriu a porta e ficou espantado ao ver sua filha com uma criança nos braços. Aterrorizado e sem poder acreditar que aquela criança era filha de Zeus, desconfiou de seu irmão Preto. Sua suspeita logo se tornou certeza, e a cólera imediatamente se adensou em seu peito. Para vingar-se do irmão, mas também para se desvincilhar daquele neto tão perigoso, decidiu matar Dânae e a criança. Contudo, na última hora, teve medo da ria dos deuses e se conteve.

Então teve uma ideia e disse: – Que as ondas espumantes os engulam! Que os peixes os devorem! Não serei eu a lamentar e sim Preto! Ele mesmo não pôde me matar todos esses anos, e não ficarei esperando que seu filho me mate agora!

Logo pôs em curso o que havia planejado. Pouco tempo depois, na ilha de Sérifos, um pescador de nome Díctis estava a pescar num lugar que até então não conhecia. Com a ajuda da deusa Atena, confeccionara as primeiras redes do mundo. que por isso tomaram seu nome.

Dânae por Waterhouse (1892). Dânae e seu filho, Perseu, são lançados ao mar.

Dânae, por Waterhouse (1892)

Quando começou a puxá-las de dentro do mar, viu que traziam um caixote. Tomado de curiosidade, puxou a caixa com força até a areia. Era um baú todo trabalhado, com fortes amarras de bronze. Vendo-o assim tão bem-feito, estranhou ainda mais e perguntou-se que tipo de coisa poderia conter e de onde teria vindo. Tentou abri-lo, mas não era fácil; o baú estava muito bem fechado. Díctis, porém, não desistiu. Desfez as amarras uma a uma, até que, por fim, despregou-lhe a tampa.

Atônito, deparou com duas formas humanas fracas: uma mulher e um bebê. Eram Dânae e Perseu. Acrísio os havia trancado e jogado ao mar, a fim de sufocá-los.

Díctis os ajudou a recobrar as forças e, em seguida, recebeu-os em sua casa. Ofereceu um quarto a Dânae e cuidou para que nada lhe faltasse na criação do filho.

O rei daquela ilha, Polidectes, era irmão de Díctis, mas o que este tinha de bondoso e compassivo, o irmão monarca tinha de duro e cruel. Odiava todas as mulheres e havia jurado nunca se casar. Porém, assim que viu Dânae, ficou admirado com sua beleza e quis tomá-la por esposa. Diante da recusa, ele não só insistiu, como também passou a ameaçá-la. Tudo isso, porém, teve um efeito contrário, pois a jovem mãe tinha horror ao rei, mais nada.

Os anos se passaram e Perseu tornou-se um jovem esbelto, cuja beleza, inteligência e força não tinham rivais. Polidectes jamais desistia de Dânae, mas agora tinha de enfrentar, além da recusa da própria, também a resistência de Perseu, que defendia a mãe.

Perseus and Danae, Museum of Fine Arts, Boston, USA, 490BC

Perseu e Dânae ~490a.C, Museu de Belas Artes, Boston.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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Acrísio e Preto: a inimizade entre irmãos

Linceu casou-se com Hipermnestra, tornou-se rei e depois foi sucedido no trono por seu filho Abas, que, por sua vez, teve dois filhos gêmeos: Acrísio e Preto.

A cobiça de Egito fez de Dânao um inimigo mortal. A inimizade entre os dois era tanta que Dânao pediu que suas filhas, as danaides, matassem seus respectivos maridos na noite de núpcias, todos filhos de Egito. Mais tarde, no Hades, as danaides foram castigadas pela eternidade. Entretanto, aqueles que se tornaram célebres pela inimizade entre irmãos foram Acrísio e Preto. Desde pequenos ficaram conhecidos em toda a Grécia por suas disputas intermináveis.

Muitos diziam que a primeira contenda entre os dois aconteceu quando ainda estavam na barriga da mãe! Ela gritava de dor porque eles disputavam quem nasceria primeiro, afinal, este seria o herdeiro do trono.

O mal ficou ainda pior quando os dois cresceram, e isso angustiava demais seus velhos pais. Abas, na hora da morte, a fim de não dar motivo para novas brigas, chamou os filhos e disse que os dois deveriam governar o reino alternadamente: um ano um, um ano outro. O rei, porém, morreu sem ter tempo de dizer qual iria governar primeiro, e uma briga terrível eclodiu ali mesmo, sobre o cadáver do pai.

 Finalmente, Acrísio tomou o reino à força e Preto foi obrigado a se exilar, fugindo para a Lícia, cujo rei, Iobates, não somente o hospedou, como deu-lhe ainda a mão de sua filha, Estenebeia, em casamento. Por fim, obviamente também apoiou o genro em suas reivindicações pelos direitos ao trono de Argos. Deste modo, não passou muito tempo e Preto retornou à terra natal com um exército fornecido pelo sogro, a fim de reclamar junto ao irmão o reino do pai.

Acrísio recusou, e uma grande batalha teve início do lado de fora das muralhas de Argos. Como nenhum dos dois saiu vencedor, acertaram que Preto tomaria para si a vizinha Tirinto e Acrísio manteria Argos sob seu domínio.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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