Pontos

Πόντος (Póntos), Pontos, é “o mar”, por vezes “o alto-mar”, diferente de πέλαγος (pélagos), em princípio “via de acesso, de passagem, não raro difícil. Póntos entra numa vasta família etimológica de forma e sentidos diversos. Assim,  o sânscrito tem pánthah, “caminho que oferece dificuldade”, e o latim pons, pontis, “ponte, passarela”. Pontos é, pois, a marcha, o caminho, “os caminhos do mar”.

Filho de Gaia, Pontos uni-se à própria mãe e foi pai de Nereu, Taumas, Fórcis, Ceto e Euríbia. Por vezes lhe atribui igualmente a paternidade de Briareu e dos quatro telquines, os primitivos habitantes da ilha de Rodes, Acteu, Megalésio, Ôrmeno e Lico. Com Tálassa, sua contraparte feminina, Pontos gerou os peixes e outras criaturas marinhas. Pontos e Tálassa foram completamente substituídos por Posídon e Anfitrite na arte clássica e mito. Em mosaico romano os deuses primordiais-do-mar eram geralmente Oceano e Tétis.

Num mosaico romano Pontos aparece como uma cabeça gigante que emerge do mar adornado com uma barba grisalha e chifres de guarra de caranguejo:

Okeanos or Pontos mosaic at Bardo Museum, Tunis, Tunisia

Pontos em um mosaico romano antigo, Bardo Museum, Túnis, Tunísia.

Personificado, passou a figurar como representação masculina do mar. Não possuindo um mito particular, aparece apenas nas genealogias teogônicas e cosmogônicas. O mar simboliza a dinâmica da vida. Tudo sai do mar e a ele retorna, tornando-se o mesmo o lugar de nascimentos, transformações e renascimentos. Águas em movimento, o mar simboliza um estado transitório entre as possíveis realidades ainda informais e as realidades formais, uma situação de ambivalência, que é a da incerteza, da dúvida e da indecisão, que se pode concluir bem ou mal. Daí ser o mar simultaneamente a imagem da vida e da morte. Cretenses, Gregos e Romanos sacrificavam ao mar cavalos e touros, ambos símbolos de fecundidade. Símbolo também de hostilidade ao divino, o mar acabou por ser vencido e dominado por um deus. Segundo as cosmogonias babilônicas, Tiamat (O Mar), após contribuir para dar nascimento aos deuses, foi por um deles vencido. Javé tinha domínio total sobre o mar e seus monstros, como diz Jó 7,12:

Acaso sou eu o mar ou baleia, para me teres encerrado como num cárcere?

Criação de Deus (Gn 1,9-10), o mar tem que lhe estar sujeito (Jr 31,35). Cristo dá ordens aos ventos e ao mar, e as tempestades se transformam em bonança (Mt 8,24-27).

João (Ap 21,1) canta o mundo novo, em que o mar não mais existirá.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

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