Nix

La Nuit (1883), by William-Adolphe Bouguereau (1825-1905), at Hillwood Museum, Washington, D.C.

La Nuit (1883), por William-Adolphe Bouguereau (1825-1905), Hillwood Museum, Washington, D.C.

Νύξ (Nýks), Nix, “noite”. A raiz da palavra designativa de νύξ (nýks) aparece na maioria das línguas indo-europeias: latim nox; “noite”; irlandês in-nocht, “esta noite”; gótico nahts, “noite”; sânscrito nák, “noite”. Nix é, portanto, a personificação e a deusa da noite.

Como aparece na Teogonia hesiódica, Caos gerou sozinho as trevas profundas, Érebo e Nix, enquanto de Nix nasceu a luz radiante, Éter e Hemera. Assim, a matéria informe, confusa e opaca, o Caos, gera primeiramente as trevas. É que para Hesíodo o cosmo se desenvolve ciclicamente, de baixo para cima, passando das trevas à luz. É natural, por isso mesmo, que a luz, Éter e Hemera, tenha sido gerada pelas trevas, Nix, a Noite.

Observe-se ainda a conjugação dos opostos: Érebo e Nix, as trevas, se opõem à luz, mas é das trevas, Nix, que nascerá a luz, Éter e Hemera. Esses pares antitéticos unem-se e interferem, cada um triunfando sobre o outro, numa eterna transformação cíclica.

Do Caos Érebos e Noite negra nasceram.
Da Noite aliás Éter e Dia nasceram,
gerou-os fecundada unida a Érebos em amor.
Teogonia, vv. 123-25.

Também no Gênesis 1,2-3 a luz existiu depois das trevas:

A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. E Deus disse: “Exista a luz”. E a luz existiu.

Seu habitat é o extremo Oeste, além do país de Atlas. Enquanto Érebo personifica as trevas subterrâneas, inferiores, Nix personifica as trevas superiores, de cima. Percorre o céu, coberta por um manto sombrio, sobre um carro puxado por quatro cavalos negros e sempre acompanhada das Queres. À Noite só se podem imolar ovelhas negras.

Nix simboliza o tempo das gestações, das germinações e das conspirações, que vão surgir à luz do dia em manifestações de vida. É muito rica em todas as potencialidades de existência, mas entrar na noite é regressar ao indeterminado, onde se misturam pesadelos, íncubos, súcubos e monstros. Símbolo do inconsciente, é no sono da noite que aquele se libera.

Nyx, as represented in the 10th-century Paris Psalter at the side of the Prophet Isaiah

Nix representada ao lado do profeta Isaías em um manuscrito do séc. X.

A deusa geralmente é representada simplesmente como a substância da noite: um véu de névoa sombria advindo do submundo que apaga a luz do Éter (que brilha na atmosfera superior).

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

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