Amazonas

Head of a Wounded Amazon of the Capitol-Mattei type. Marble. Copy after original by Phidias. Head is a copy from Polyclitus' original. At Museus Capitolinos.

Amazona Ferida, cópia em mármore da obra de Fídias, Museus Capitolinos, Roma.

Ἀμαζών (Amadzón), Amazona, vocábulo usado mais comumente no plural Ἀμαζόνες (Amadzónes), Amazonas, sempre foi interpretado pela etimologia popular como formado por um ἀ- (a- privativo), não, e μαζός (madzós), seio, uma vez que essas guerreiras, dizia-se, amputavam o seio direito para melhor manejar o arco, deixando, as mais das vezes, o seio esquerdo descoberto. Fato, aliás, não confirmado pela iconografia, em que as Amazonas aparecem belas e de seios intactos. Ainda não se possui etimologia segurar para a palavra.  Uma das hipóteses propostas com bastante fundamento é de que Amadzónes proviria do nome de uma tribo iraniana ha-mazan, propriamente “guerreiro”.

As Amazonas eram filhas de Ares, o cruento deus da guerra, e da ninfa Harmonia. Fundaram, sob a inspiração do pai e da deusa Ártemis, um reino belicoso, composto quase que exclusivamente por mulheres, que habitavam os píncaros do Cáucaso ou a Trácia, o Ponto Euxino ou ainda a Cítia ou a Lídia. Os homens, que porventura existissem em seu território, eram empregados em trabalhos servis. Para perpetuar e ampliar a comunidade, mantinham relações sexuais apenas com adventícios. Os filhos homens eram emasculados, mutilados, cegados, e empregados, quando não eliminados, em serviços inferiores.

Há vários mitos que relatam duros combates travados por heróis contra as temíveis filhas de Ares. Uma das provas impostas por Iobates a Belerofonte foi a de combatê-las, empresa de que se saiu aliás muito bem, causando uma verdadeira devastação nas fileiras das comandadas pela rainha Hipólita.

O nono trabalho de Héracles, imposto por Euristeu, foi o de buscar o cinturão da rainha das amazonas. Tendo chegado ao porto de Temíscira, em cujo arredores residiam as guerreiras, a rainha concordou em entregar-lhe o cinto, mas a deusa Hera, disfarçada de amazona,  suscitou grave querela entre os companheiros do herói, entre os quais estava Teseu, e as habitantes de Temíscira. Pensando ter sido traído por Hipólita, Héracles a matou. Foi no decorrer dessa luta, relata uma variante, que Teseu, por seu valor e desempenho, recebeu do herói argivo, como recompensa, a amazona Antíope.

Riding Amazone. Side B of an Attic red-figure neck-amphora, ca. 420 BC.

Amazona cavalgando, lado B de uma ânfora ática (~420 a.C.), Staatliche Antikensammlungen, Munique.

Segundo outra versão, Héracles fez Melanipe de refém e exigiu da rainha Hipólita o seu cinturão, enquanto Teseu raptou Antíope e fez dela sua esposa. As amazonas invadiram Atenas para resgatar Antíope. A batalha decisiva foi travada nos sopés da Acrópole e, apesar da vantagem inicial, as guerreiras não resistiram e foram vencidas por Teseu. Antíope, por amor, pereceu lutando ao lado do marido contra suas próprias irmãs.

Existe ainda uma terceira variante. A invasão da Ática pelas amazonas não se deveu ao rapto de Antíope, mas ao abandono desta por Teseu, que a repudiara, para se casar com a irmã de Ariadne, Fedra. A própria Antíope comandara a expedição e tentara, à base da força, penetrar na sala do festim, no dia mesmo das novas núpcias do rei de Atenas. Como fora repelida e morta, as amazonas se retiraram. Conta-se ainda que estas, comandadas por sua então rainha Pentesileia, enviaram a Troia um contingente de guerreiras em auxílio dos troianos. Pentesileia, todavia, caiu sob os golpes de Aquiles e ficou tão bela na morte, que o herói se comoveu até as lágrimas. O deformado e contestador Tersites ridicularizou-lhe a ternura e ameaçou furar à ponta de lança os olhos da rainha. Aquiles, num acesso de raiva, matou-o a murros.

A deusa protetora das amazonas era naturalmente Ártemis, a arqueira virgem, com quem as filhas do deus da guerra têm muito em comum, não só por seu desdém pelos homens, mas sobretudo por sua vocação de guerreiras e caçadoras. A elas se atribuía, por isso mesmo, a fundação da cidade de Éfeso e a construção do templo gigantesco e riquíssimo consagrado à irmã de Apolo.

Amazona se preparando para a batalha, por Pierre-Eugene-Emile Hebert (1860)

Amazona se preparando para a batalha, por Pierre-Eugene-Emile Hebert (1860), National Gallery of Art, Washington D.C.

Referência:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

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