Grifo

Apollon riding Gryps. Attic Red Figure, Kylix, ca 380 BC. Kunsthistorisches Museum, Vienna, Austria.

Apolo montando o Grifo. Vaso ático em figura vermelha (~380 a.C.). Museu de História da Arte em Viena, Áustria.

Γρύψ (Grýps), Grifo, sempre esteve associado pelos gregos ao adjetivo γρύπος (grypós), “curvo, recurvo, arqueado”. Em princípio, grypós aplica-se a um “nariz aquilino”, mas também a unhas em forma de garras e a bicos “recurvados”, donde Grifo é “o que apresenta bico adunco e garras como as do leão”.

Como os Grifos tinham papel saliente na decoração (possivelmente de procedência oriental), desde a época micênica, postula-se para o termo grego um empréstimo talvez ao acádico karubu, “grifo, querubim”. Uma aproximação com o anglo-saxão crumb e com o antigo alemão krump, “curvo” é perfeitamente viável. O alemão atual, para designar “torto, encurvado, dobrado”, emprega a forma krumm.

Os Grifos são pássaros fabulosos, de bico adunco, asas enormes e corpo de leão. Consagrados a Apolo, guardavam-lhe os tesouros contra as investidas dos arimaspos, no deserto da Cítia. Alguns mitógrafos fazem-nos provir da Etiópia ou mesmo da Índia. Estava associados também a Dioniso, por lhe vigiarem dia e noite a cratera cheia de vinho.

Tradições mais recentes dão conta da feroz oposição dos Grifos aos garimpeiros que buscavam ouro nos desertos do norte da Índia. A luta dos violentos “pássaros de Apolo” se explica diversamente: ou porque estavam encarregados por algum deus da guarda do metal ou porque, fazendo seus ninhos nas montanhas, de onde era extraído o ouro, queriam proteger os filhotes contra todo e qualquer depredador.

Ésquilo, em sua tragédia Prometeu Acorrentado, pelos lábios de Prometeu, faz várias advertências, entre as quais o perigo que representam esses pássaros, cuja missão mais importante é “guardar o ouro”:

– Cuidado com os Grifos, esses cães de Zeus, que não ladram.
Em lugar de focinhos, possuem bicos alongados.

Griffin, Der Naturen Bloeme

Grifo. Imagem retirada do manuscrito Der Naturen Bloeme (A flor da Natureza), 1530, Biblioteca Nacional da Holanda.

Referência:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

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