Érebo

Ἒρεβος (Érebos), Érebo, é “a obscuridade do mundo subterrâneo, o inferno”. Trata-se de um vocábulo antigo, cuja raiz indo-europeia é *regw-os, “cobrir de trevas, escurecer”, presente no sânscrito rájas– “região obscura do ar, vapor, poeira”, no armênio erek, –oy, “tarde” e no gótico riqiz, “obscuridade, crepúsculo”.

Símbolo das trevas inferiores, mas, uma vez personificado, tornou-se filho do Caos e irmão de Nix, a Noite. Caos gerou sozinho as trevas profundas, Érebo e Nix, enquanto de Nix nasceu a luz radiante, Éter e Hemera. Assim, a matéria informe, confusa e opaca, o Caos, gera primeiramente as trevas.

Do Caos Érebos e Noite negra nasceram.
Da Noite aliás Éter e Dia nasceram,
gerou-os fecundada unida a Érebos em amor.
Teogonia, vv. 123-25.

O nome Érebo também foi utilizado para o reino sombrio, submundo de Hades. Bem mais tarde, isto é, a partir dos fins do séc. VI a.C., quando o Hades, o mundo infernal, foi “geograficamente” dividido em três compartimentos, Campos Elísios, local onde ficavam por algum tempo os que pouco tinham a purgar, Érebo, residência também temporária dos que muito tinham a sofrer e Tártaro, local de suplício permanente e eterno dos grandes criminosos, mortais e imortais. Érebo ocupou o centro, à igual distância entre os Campos Elísios e o Tártaro.

Érebo foi um Protogenos (deus primordial) da escuridão, consorte de Nix, cuja névoas escuras envolvia as bordas do mundo, e encheu as cavidades profundas da terra. Sua esposa Nix levou estas névoas pelos céus para trazer noite ao mundo, enquanto sua filha Hemera as dispersou trazendo dia: um bloqueando a luz de Éter e outro revelando-na. O ar superior brilhante (éter) foi considerado como a fonte do dia nas cosmogonias antigas, em vez do sol.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

THEOI: http://www.theoi.com/Protogenos/Erebos.html

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