Caos

Magnum Chaos, por Capoferri e Lotto (1522-1532).

Magnum Chaos, por Capoferri e Lotto (1522-1532).

Χάος (Kháos), Caos, está relacionado com o verbo χαίνειν (khaínein), “abrir-se, entreabrir-se”, donde Kháos é “o vazio, a profundidade insondável”.

Caos é a personificação do vazio primordial, anterior à criação, quando a ordem ainda não havia sido imposta aos elementos do mundo. Ovídio, Metamorfoses 1,7, chama-o rudis indigestaque moles, “massa informe e confusa”.

No Gênesis 1,2, diz o texto sagrado: A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. Trata-se do Caos primordial, antes da criação do mundo, realizada por Javé, a partir do nada.

Na cosmogonia egípcia, o Caos é uma energia poderosa do mundo informe e não ordenado, que cinge a criação ordenada, como o oceano circula a terra. Existia antes da criação e coexiste com o mundo formal, envolvendo-o como uma imensa e inexaurível reserva de energias, nas quais se dissolverão as formas nos fins dos tempos.

Na tradição chinesa, o Caos é o espaço homogêneo, anterior à divisão em quatro horizontes, que equivale à criação do mundo. Esta divisão marca a passagem ao diferenciado e a possibilidade de orientação, constituindo-se na base de toda a organização do cosmo. Estar desorientado é entrar no Caos, de onde não se pode sair, a não ser pela intervenção de um pensamento ativo, que atua energeticamente no elemento primordial.

Do Caos grego, dotado de grande energia prolífica, saíram, segundo Hesíodo, Gaia (Terra), Tártaro e Eros, que depois geraram Érebo, Nix (Noite), e Urano (Céu) e os dois primeiros, Érebo e Nix, deram origem a Éter e Hemera (Dia).

Sim bem primeiro nasceu Caos, depois também
Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre,
dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado,
e Tártaro nevoento no fundo do chão de amplas vias,
e Eros: o mais belo entre Deuses imortais,
solta-membros, dos Deuses todos e dos homens todos
ele doma no peito o espírito e a prudente vontade.
Teogonia, vv. 116-122.

Uma versão mais tardia faz de Caos um filho de Crono e irmão de Éter.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

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