Ciclopes

Cyclops mask, Siracusa Italy

Máscara de Ciclope, Siracusa, Itália.

Kύκλωψ (Kýklops), Ciclope, é um composto de κύκλος (kýklos) “círculo, o que é redondo” e de ὤψ (óps), acus. ὦπα (ôpa), “olho”, donde “o que tem um grande olho redondo”.

Os poetas e mitógrafos distinguem três espécies de Ciclopes: os Urânios, filhos de Urano e Gaia; os Sicilianos, companheiros do gigantesco e antropófago Polifemo, e os Construtores.

Os primeiros, Brontes, Estérope ou Astérope e Arges, cujos nomes lembram respectivamente o trovão, o relâmpago e o raio, são os urânios. Encadeados pelo pai, foram, a pedido de Gaia, libertados por Crono, mas por pouco tempo.

Temendo-os, o mutilador de Urano lançou-os novamente no Tártaro, até que, advertido por um Oráculo de Gaia de que não poderia vencer os Titãs, sem o concurso dos Ciclopes, Zeus os libertou definitivamente. Estes, agradecidos, deram-lhe o trovão, o relâmpago e o raio.

A Hades ou Plutão ofereceram um capacete, que o tornava invisível e a Posídon, o tridente. Armas tão poderosas foram definitivas na grande vitória de Zeus sobre os Titãs. A partir de então tornaram-se os artífices dos raios de Zeus.

Como o médico Asclépio, filho de Apolo, fizesse tais progressos em sua arte, que chegou mesmo a ressuscitar vários mortos, Zeus temendo que a ordem do mundo fosse transformada e que Hades se empobrecesse por falta de novas almas, fulminou-o para grande regozijo de Plutão.

Não podendo vingar-se do pais dos deuses e dos homens, Apolo matou os Ciclopes a flechadas, os quais, nesta versão do mito, aparecem como seres mortais e não como deuses.

Polyphemus, by Johann Heinrich Wilhelm Tischbein, 1802 (Landesmuseum Oldenburg)

Polifemo (1802), por Johann Heinrich Wilhelm Tischbein, Landesmuseum Oldenburg, Alemanha.

O segundo grupo de Ciclopes, impropriamente denominados Sicilianos, tendem-se a confundir-se com aquele de que fala Homero na Odisseia. Estes eram selvagens, de altura desmedida e antropófagos. Viviam perto de Nápoles, nos denominados campos de Flegra. Moravam em cavernas e os únicos bens que possuíam eram rebanhos.

Dentre esses monstros “mais altos que os píncaros das árvores que se divisam ao longe”, como diz Homero, destaca-se Polifemo, imortalizado pelo bardo de Quios, no canto IX da Odisseia, retomado, na época clássica (séc. V a.C.), pelo drama satírico de Eurípides, o Ciclope. Virgílio (séc. I a.C.), ressuscitou meio palidamente a Polifemo na monumental Eneida.

Na poesia da época alexandrina (fins do séc. IV-I a.C.), os Ciclopes homéricos transmutaram-se em demônios subalternos, ferreiros e artífices de todas as armas dos deuses, de raios a flechas, mas sempre sob a direção de Hefesto o deus das forjas por excelência. Habitavam a Sicília, onde possuíam uma oficina subterrânea, por vezes localizada nas entranhas do Etna. De antropófagos, transformaram-se na erudita poesia alexandrina em frágeis seres humanos, mordidos por Eros.

No Idílio VI de Teócrito, Polifemo extravasa sua paixão incontida pela branca Galateia. O rude gigante Adamastor camoneano, perdido de amores por Tétis, é uma volta às raízes…

A terceira leva de Ciclopes proviria da Lícia. A eles era atribuída a construção de grandes monumentos da época pré-histórica, formados por gigantescos blocos de pedra, cujo transporte desafiava as forças humanas. Ciclopes pacíficos colocaram-se a serviço de grandes heróis, como Preto, na fortificação de Tirinto e Perseu, no soerguimento da inexpugnável fortaleza de Micenas.

Cyclopes at the forge of Hephaestus, Roman fresco from Pompeii C1st A.D., Archaeological Museum of Naples, Italy

Ciclopes na forja de Hefesto. Fresco romano de Pompeii séc. I d.C., Museu Arqueológico de Nápoles, Itália.

Referência:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

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