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Érebo

Ἒρεβος (Érebos), Érebo, é “a obscuridade do mundo subterrâneo, o inferno”. Trata-se de um vocábulo antigo, cuja raiz indo-europeia é *regw-os, “cobrir de trevas, escurecer”, presente no sânscrito rájas– “região obscura do ar, vapor, poeira”, no armênio erek, –oy, “tarde” e no gótico riqiz, “obscuridade, crepúsculo”.

Símbolo das trevas inferiores, mas, uma vez personificado, tornou-se filho do Caos e irmão de Nix, a Noite. Caos gerou sozinho as trevas profundas, Érebo e Nix, enquanto de Nix nasceu a luz radiante, Éter e Hemera. Assim, a matéria informe, confusa e opaca, o Caos, gera primeiramente as trevas.

Do Caos Érebos e Noite negra nasceram.
Da Noite aliás Éter e Dia nasceram,
gerou-os fecundada unida a Érebos em amor.
Teogonia, vv. 123-25.

O nome Érebo também foi utilizado para o reino sombrio, submundo de Hades. Bem mais tarde, isto é, a partir dos fins do séc. VI a.C., quando o Hades, o mundo infernal, foi “geograficamente” dividido em três compartimentos, Campos Elísios, local onde ficavam por algum tempo os que pouco tinham a purgar, Érebo, residência também temporária dos que muito tinham a sofrer e Tártaro, local de suplício permanente e eterno dos grandes criminosos, mortais e imortais. Érebo ocupou o centro, à igual distância entre os Campos Elísios e o Tártaro.

Érebo foi um Protogenos (deus primordial) da escuridão, consorte de Nix, cuja névoas escuras envolvia as bordas do mundo, e encheu as cavidades profundas da terra. Sua esposa Nix levou estas névoas pelos céus para trazer noite ao mundo, enquanto sua filha Hemera as dispersou trazendo dia: um bloqueando a luz de Éter e outro revelando-na. O ar superior brilhante (éter) foi considerado como a fonte do dia nas cosmogonias antigas, em vez do sol.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

THEOI: http://www.theoi.com/Protogenos/Erebos.html

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Tártaro

Mundo-gregoΤάρταρος (Tártaros), Tártaro, abismo insondável, que se encontra sob a terra, não possui etimologia em grego. Trata-se possivelmente de um empréstimo oriental.

Na Teogonia de Hesíodo, 116-132, Tártaro, personificado pelo poeta, é, ao lado de Caos, Gaia e Eros, um dos elementos primordiais do cosmo. Unindo-se a Gaia, foi pai dos monstros Tífon e Equidna, as quais se acrescentaram por vezes a Águia de Zeus e Tânatos, o Gênio da Morte.

Nos poemas homéricos e na Teogonia, o Tártaro é o local mais profundo das entranhas da terra, localizado muito abaixo do próprio Hades, isto é, dos próprios Infernos. Na Ilíada, VIII, 5-29, Zeus reúne a assembleia dos deuses e ameaça lançar “no Tártaro escuro, a voragem profunda de soleira de bronze e portas de ferro” qualquer dos imortais que se atravesse a lutar ao lado dos aqueus ou troianos. E acrescenta que a distância que separa o Hades do Tártaro é a mesma que existe entre Gaia, a Terra, e Urano, o Céu.

Era nesta vasta e horrenda prisão que as diferentes gerações divinas lançavam seus inimigos. Os primeiros a visitá-la foram os Ciclopes Arges, Estérope e Brontes, que lá foram aprisionados por Urano. Após a vitória de Crono sobre o pai, os Ciclopes foram libertados, a pedido de Gaia, mas por pouco tempo. Crono, que os temia, mandou-os de volta às trevas, em companhia dos Hecatônquiros, de onde só foram arrancados em definitivo por Zeus, que a eles se aliou na luta contra os Titãs, chefiados por Crono, e contra os terríveis Gigantes. Derrotados por Zeus foi a vez dos Titãs descerem ao mais tenebroso dos cárceres e tiveram por guardiões seus inimigos, os Hecatônquiros Coto, Giges e Briareu.

Na Ilíada, VIII, quando Zeus proíbe os Imortais de se imiscuírem nas batalhas entre Aqueus e Troianos, e ameaça lançar os recalcitrantes nas profundezas do Tártaro, observa-se que este é perfeito sinônimo de Hades, aonde iam ter, para todo o sempre, sem prêmio nem castigo, todas as almas.

Em Hesíodo a ideia de permanência eterna na outra vida já parece também existir, pelo menos para alguns deuses e mortais: lá foram lançados os Titãs e as almas dos homens da Idade de Bronze. Os Ciclopes tiveram mais sorte: duas vezes lançados no Tártaro, duas vezes de lá foram libertados, o que demonstra que para algumas divindades o Tártaro podia funcionar apenas como prisão temporária, ao menos até Hesíodo. Seja como for, é no Tártaro que as diferentes gerações divinas lançam sucessivamente seus inimigos, como os Ciclopes e depois os Titãs.

Local temido pelos próprios deuses, Zeus se aproveitava do fato para frear-lhes qualquer oposição ou simples ameaça a seu poder. Quando Apolo com suas flechas certeiras matou os Ciclopes, o pai dos deuses e dos homens ameaçou lançá-lo no Tártaro. De imediato, Leto suplicou ao antigo amante que poupasse o filho comum e Zeus fez que Apolo fosse exilado por um ano e servisse como pastor ao rei Admeto.

Um pouco mais tarde, quando o Hades foi dividido em três compartimentos, Campos Elísios, local onde ficavam por algum tempo os que pouco tinham a purgar, Érebo, residência também temporária dos que muito tinham a sofrer, o Tártaro se tornou o local de suplício permanente e eterno dos grandes criminosos, mortais e imortais. Lá se encontram Ixíon, Tântalo, Sísifo, Salmoneu, os Alóadas, os Titãs e tantos outros…

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

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Gaia

GaeaΓαῖα (Gaîa), Gaia, “Terra”, ainda não possui etimologia convincente. A forma γῆ (guê) tem o mesmo sentido que Γαῖα (Gaîa), “Terra”, por oposição a Céu. Esta última, no mito, é a Terra, concebida como elemento primordial e deusa cósmica, diferenciando-se, assim, teoricamente de Deméter, a terra cultivada. Embora de sentido idêntico, os dois vocábulos não possuem relação etimológica entre si. Já se tentou mostrar que γαῖα (gaîa) era uma contaminação de γῆ (guê) com αἶα (aîa), “grande mãe”, donde Gaia significaria a Terra-Mãe, mas trata-se de uma hipótese.

Segundo a Teogonia hesiódica, Gaia surgiu após o Caos e antes de Eros, que escraviza os membros dos deuses e dos homens.

Sem concurso de macho, isto é, por partenogênese, Gaia deu à luz Urano (o Céu), Óreas (as Montanhas) e Pontos (o Mar).

Unindo-se, em seguida, a Urano, foi mãe dos Titãs, denominados Oceano, Ceos, Crios, Hipérion, Jápeto, e Crono; das Titânides, Teia, Reia, Têmis, Mnemosine, Febe e Tétis. Ainda com Urano gerou os Ciclopes,  Arges, Estérope e Brontes, divindades ligadas aos raios, relâmpagos e trovões. Finalmente, também de seus amores com Urano, nasceram os Hecatônquiros, monstros de cem braços, chamados Cotos, Briareu e Giges.

Urano, porém, temendo ser destronado por um dos seus filhos, devolvia-os ao seio materno. Gaia, pesada e cansada, resolveu libertá-los e pediu o concurso dos filhos. Todos se recusaram, exceto o caçula, Crono, que odiava o pai. Entregou-lhe a Terra-Mãe uma foice (instrumento sagrado que corta as sementes) e quando Urano, à noite, se deitou “ávido de amor” sobre a esposa, o caçula cortou-lhe os testículos. O sangue do ferimento do Céu, todavia, caiu sobre a Terra, concebendo esta, no tempo devido, as Erínias, os Gigantes e as Ninfas Mélias ou Ninfas dos Freixos, símbolo da guerra e do sangue, uma vez que o cabo das laças era confeccionado com esta madeira. Os testículos, lançados ao mar, formaram uma espumarada, de que nasceu Afrodite.

Gaia e Urano

Gaia e Urano. Obra exposta na seção Cosmogonias e Cosmologia do Espaço do Conhecimento UFMG, Praça da Liberdade.

Com a mutilação de Urano, Gaia uniu-se novamente a um de seus filhos, Pontos, e com ele teve cinco divindades marinhas: Nereu, Taumante, Fórcis, Ceto e Euríbia.

Tendo assumido o poder, Crono se uniu à irmã Reia e transformou-se num tirano mais despótico que o pai. De saída, porque temia os Ciclopes, seus irmãos, que ele havia libertado do Tártaro a pedido de Gaia, lançou-os novamente nas trevas, bem como os Hecatônquiros. Como Urano e Gaia, depositário da mântica, isto é, do conhecimento do futuro, lhe houvessem predito que seria destronado por um dos filhos, passou a engoli-los, à medida que iam nascendo: Héstia, Deméter, Hera, Hades ou Plutão e Posídon. Escapou apenas o caçula, Zeus. Grávida deste último, Reia fugiu para a ilha de Creta a conselho de Urano e Gaia, que lhe ensinaram como enganar Crono. Nascido o menino no monte Dicta, a mãe escondeu-o numa gruta profunda e, envolvendo em panos de linho uma pedra, deu-a ao marido, que imediatamente a engoliu.

Atingida a idade adulta, Zeus iniciou, ajudado pelos irmãos, que haviam sido devolvidos à luz por Crono, uma terrível refrega contra este e os outros Titãs. O futuro pai dos deuses e dos homens obteve retumbante vitória, graças sobretudo às advertências e predições de Gaia, que lhe sugerira a libertação dos Ciclopes e dos Hecatônquiros, presos no Tártaro por Crono. Os Ciclopes, agradecidos, deram ao senhor do Olimpo os raios, relâmpagos e trovões e os Hecatônquiros, com seus cem braços, muito cooperaram para o triunfo. Gaia, porém, descontente com Zeus, que lançara no Tártaro os Titãs, excitou contra ele os terríveis Gigantes, nascidos do sangue de Urano. Derrotados também estes, a Terra-Mãe, num derradeiro esforço, uniu-se a Tártaro e gerou o mais horrendo dos monstros, Tífon ou Tifeu, que só foi derrotado após longos e indecisos combates.

Com o mesmo Tártaro foi mãe da disforme e cruel Equidna. Outras tradições e teogonias atribuem-lhe igualmente a maternidade de Triptólemo, de sua união com Oceano. De sua ligação com Posídon teria nascido Anteu, adversário de Héracles.

Na realidade, quase todo os monstros, como as Harpias, Píton, Caribdes, bem assim o dragão, que vigiava o velocino de outro a pedido de Eetes, e até mesmo Fama são considerados filhos de Gaia.

A pouco e pouco, no entanto, com a antropomorfização dos deuses e sua personificação, a Terra, reserva inesgotável de fecundidade, transmutou-se em mãe universal e mãe dos deuses. Tendo como hipóstase Cibele e Deméter, Gaia foi se afastando da mitologia para entrar nos domínios da filosofia.

Era a detentora e inspiradora de vários oráculos, bem mais antigos e tidos por alguns mitólogos como mais confiáveis que os de Apolo.

Gaia se opõe, simbolicamente, como princípio passivo ao princípio ativo; como aspecto feminino ao masculino da manifestação; como obscuridade à luz; como Yin ao Yang; como anima ao animus; como densidade, fixação e condensação à natureza sutil e volátil, isto é, à dissolução. Gaia suporta, enquanto Urano, o Céu, a cobre. Dela nascem todos os seres, porque Gaia é mulher e mãe. Suas virtudes básicas são a doçura, a submissão, a firmeza cordata e duradoura, não se podendo omitir a humildade, que, etimologicamente, prende-se a humus, “terra”, de que o homo, “homem”, que igualmente provém de humus, foi modelado. Ela é a virgem penetrada pela charrua e pelo arado, fecundada pela chuva ou pelo sangue, que são o spérma, a semente do Céu. Como matriz, concebe todos os seres, as fontes, os minerais e os vegetais. Gaia simboliza a função materna: é a Tellus Mater, a Mãe-Terra. Concede e retoma a vida. Prostrando-se ao solo, exclama Jó 1,21: Nu saí do ventre de minha mãe; nu para lá retornarei. Reuertere ad locum tuum, volta a teu lugar, é um lembrete que alguns cemitérios gostam de estampar. “Rasteja para a terra, tua mãe” (Rig Veda, X, 18,10), diz o poeta védico ao morto. Assimilada à mãe, a Terra é símbolo de fecundidade e de regeneração, como escreveu Ésquilo nas Coéforas, 127-128:

A própria Terra que, sozinha, gera todos os seres,
alimenta-os e depois recebe deles novamente o gérmen fecundo.

Gaia - Earth GoddessConsoante a Teogonia, a própria Gaia gerou a Urano, que a cobriu e deu nascimento aos deuses. Esta primeira hierogamia, quer dizer, casamento sagrado, foi imitado pelos deuses, pelos homens e pelos animais. Como origem e matriz da vida, Gaia recebeu o nome de Magna Mater, a Grande Mãe. Guardiã da semente e da vida, em todas as culturas sempre houve “enterros” simbólicos, análogos às imersões batismais, seja com a finalidade de fortalecer as energias ou curar, seja como rito de iniciação. De toda forma, esse regressus ad uterum, essa descida ao útero da terra, tem sempre o mesmo significado religioso: a regeneração pelo contato com as energias telúricas; morrer para uma forma de vida, a fim de renascer para uma vida nova e fecunda. É por isso que nos Mistérios de Elêusis se efetuava uma καταβάσις είς ᾄντρον (katábasis eis ántron), uma descida à caverna, onde se dava um novo nascimento. Para vencer o gigante Anteu, Héracles teve que segurá-lo no ar e sufocá-lo, já que o gigante readquiria todas as suas forças e energias, cada vez que tocava a Terra, sua mãe. Mater, mãe, tem a mesma raiz que materia, “madeira”: pois bem, quando se quer atrair a sorte ou afastar o azar, bate-se três vezes na matéria, na madeira, isto é, na mater, na mãe, detentora das grandes energias e de um mana poderoso.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

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Equidna

Ἔχιδνα (Ékhidna), Equidna, é um derivado de ἔχις (ékhis), “víbora, serpente”, que, etimologicamente, está bem próximo de όφις (óphis), “serpente”.

Echidna

Ela pariu outro incombatível prodígio nem par
a homens mortais nem a Deuses imortais
numa gruta cava: divina Víbora de ânimo cruel,
semininfa de olhos vivos e belas faces
e prodigiosa semi-serpente terrível e enorme,
cambiante carnívoro sob covil na divina terra
Aí sua gruta lá embaixo está sob côncava pedra
longe dos Deuses imortais e dos homens mortais,
aí lhe deram os Deuses habitar ínclito palácio.
Em Árimos sob o chão reteve-se a lúgubre Víbora
ninfa imortal e sem velhice para sempre.
Teogonia, vv. 295-305.

Equidna, segundo Hesíodo, era filha de Crisaor e Calírroe. Em outras variantes, seus pais são Fórcis e Ceto ou ainda Tártaro e Gaia. Equidna, a víbora, era concebida como mulher até a cintura e daí para baixo como serpente. Seu habitat era uma caverna da Cilícia ou o Peloponeso, onde foi morta por Argos de Cem-Olhos, pelo fato de o monstro devorar os transeuntes. Extremamente fértil, uniu-se a Tífon, monstro horrendo e foi mãe de outros tantos: Ortro, Cérbero, Hidra de Lerna, Quimera, Fix e Leão de Nemeia. Uma variante atribui-lhe igualmente como filhos o dragão da Cólquida, que, no bosque de Ares, guardava o Velocino de Ouro, bem como aquele outro temível que vigiava os pomos de ouro no Jardim das Hespérides.

Segundo ainda uma versão muito antiga, Equidna, tendo-se unido incestuosamente a seu filho Ortro, foi mãe da Fix, isto é, da Esfinge. Na perspectiva analítica do incesto, C. G. Jung retratou Equidna como imagem da mãe: “Bela e jovem mulher até a cintura, mas a partir daí uma serpente horrenda. Este ser duplo corresponde à imagem da mãe: na parte superior, a metade humana, bela e sedutora; na inferior, a metade animal, medonha, que a defesa incestuosa transforma em animal angustiante. Seus filhos são monstros, como Ortro, o cão de Gérion, aos quais Héracles matou. Foi com este cão, seu filho, que em união incestuosa, Equidna gerou a Esfinge. Este material é suficiente para caracterizar a soma de Libido que produziu o símbolo da Esfinge.”

Equidna traduz a prostituta apocalíptica, a libido que queima a carna e a devora. Mãe do abutre que roeu as entranhas de Prometeu, é ainda o fogo do inferno, o desejo excitado e sempre insaciável. É a Sereia devoradora, de cuja sedução Odisseu soube fugir.

Equidna (2)

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

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Caos

Magnum Chaos, por Capoferri e Lotto (1522-1532).

Magnum Chaos, por Capoferri e Lotto (1522-1532).

Χάος (Kháos), Caos, está relacionado com o verbo χαίνειν (khaínein), “abrir-se, entreabrir-se”, donde Kháos é “o vazio, a profundidade insondável”.

Caos é a personificação do vazio primordial, anterior à criação, quando a ordem ainda não havia sido imposta aos elementos do mundo. Ovídio, Metamorfoses 1,7, chama-o rudis indigestaque moles, “massa informe e confusa”.

No Gênesis 1,2, diz o texto sagrado: A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. Trata-se do Caos primordial, antes da criação do mundo, realizada por Javé, a partir do nada.

Na cosmogonia egípcia, o Caos é uma energia poderosa do mundo informe e não ordenado, que cinge a criação ordenada, como o oceano circula a terra. Existia antes da criação e coexiste com o mundo formal, envolvendo-o como uma imensa e inexaurível reserva de energias, nas quais se dissolverão as formas nos fins dos tempos.

Na tradição chinesa, o Caos é o espaço homogêneo, anterior à divisão em quatro horizontes, que equivale à criação do mundo. Esta divisão marca a passagem ao diferenciado e a possibilidade de orientação, constituindo-se na base de toda a organização do cosmo. Estar desorientado é entrar no Caos, de onde não se pode sair, a não ser pela intervenção de um pensamento ativo, que atua energeticamente no elemento primordial.

Do Caos grego, dotado de grande energia prolífica, saíram, segundo Hesíodo, Gaia (Terra), Tártaro e Eros, que depois geraram Érebo, Nix (Noite), e Urano (Céu) e os dois primeiros, Érebo e Nix, deram origem a Éter e Hemera (Dia).

Sim bem primeiro nasceu Caos, depois também
Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre,
dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado,
e Tártaro nevoento no fundo do chão de amplas vias,
e Eros: o mais belo entre Deuses imortais,
solta-membros, dos Deuses todos e dos homens todos
ele doma no peito o espírito e a prudente vontade.
Teogonia, vv. 116-122.

Uma versão mais tardia faz de Caos um filho de Crono e irmão de Éter.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.1. Petrópolis: Vozes, 2013.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

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Ciclopes

Cyclops mask, Siracusa Italy

Máscara de Ciclope, Siracusa, Itália.

Kύκλωψ (Kýklops), Ciclope, é um composto de κύκλος (kýklos) “círculo, o que é redondo” e de ὤψ (óps), acus. ὦπα (ôpa), “olho”, donde “o que tem um grande olho redondo”.

Os poetas e mitógrafos distinguem três espécies de Ciclopes: os Urânios, filhos de Urano e Gaia; os Sicilianos, companheiros do gigantesco e antropófago Polifemo, e os Construtores.

Os primeiros, Brontes, Estérope ou Astérope e Arges, cujos nomes lembram respectivamente o trovão, o relâmpago e o raio, são os urânios. Encadeados pelo pai, foram, a pedido de Gaia, libertados por Crono, mas por pouco tempo.

Temendo-os, o mutilador de Urano lançou-os novamente no Tártaro, até que, advertido por um Oráculo de Gaia de que não poderia vencer os Titãs, sem o concurso dos Ciclopes, Zeus os libertou definitivamente. Estes, agradecidos, deram-lhe o trovão, o relâmpago e o raio.

A Hades ou Plutão ofereceram um capacete, que o tornava invisível e a Posídon, o tridente. Armas tão poderosas foram definitivas na grande vitória de Zeus sobre os Titãs. A partir de então tornaram-se os artífices dos raios de Zeus.

Como o médico Asclépio, filho de Apolo, fizesse tais progressos em sua arte, que chegou mesmo a ressuscitar vários mortos, Zeus temendo que a ordem do mundo fosse transformada e que Hades se empobrecesse por falta de novas almas, fulminou-o para grande regozijo de Plutão.

Não podendo vingar-se do pais dos deuses e dos homens, Apolo matou os Ciclopes a flechadas, os quais, nesta versão do mito, aparecem como seres mortais e não como deuses.

Polyphemus, by Johann Heinrich Wilhelm Tischbein, 1802 (Landesmuseum Oldenburg)

Polifemo (1802), por Johann Heinrich Wilhelm Tischbein, Landesmuseum Oldenburg, Alemanha.

O segundo grupo de Ciclopes, impropriamente denominados Sicilianos, tendem-se a confundir-se com aquele de que fala Homero na Odisseia. Estes eram selvagens, de altura desmedida e antropófagos. Viviam perto de Nápoles, nos denominados campos de Flegra. Moravam em cavernas e os únicos bens que possuíam eram rebanhos.

Dentre esses monstros “mais altos que os píncaros das árvores que se divisam ao longe”, como diz Homero, destaca-se Polifemo, imortalizado pelo bardo de Quios, no canto IX da Odisseia, retomado, na época clássica (séc. V a.C.), pelo drama satírico de Eurípides, o Ciclope. Virgílio (séc. I a.C.), ressuscitou meio palidamente a Polifemo na monumental Eneida.

Na poesia da época alexandrina (fins do séc. IV-I a.C.), os Ciclopes homéricos transmutaram-se em demônios subalternos, ferreiros e artífices de todas as armas dos deuses, de raios a flechas, mas sempre sob a direção de Hefesto o deus das forjas por excelência. Habitavam a Sicília, onde possuíam uma oficina subterrânea, por vezes localizada nas entranhas do Etna. De antropófagos, transformaram-se na erudita poesia alexandrina em frágeis seres humanos, mordidos por Eros.

No Idílio VI de Teócrito, Polifemo extravasa sua paixão incontida pela branca Galateia. O rude gigante Adamastor camoneano, perdido de amores por Tétis, é uma volta às raízes…

A terceira leva de Ciclopes proviria da Lícia. A eles era atribuída a construção de grandes monumentos da época pré-histórica, formados por gigantescos blocos de pedra, cujo transporte desafiava as forças humanas. Ciclopes pacíficos colocaram-se a serviço de grandes heróis, como Preto, na fortificação de Tirinto e Perseu, no soerguimento da inexpugnável fortaleza de Micenas.

Cyclopes at the forge of Hephaestus, Roman fresco from Pompeii C1st A.D., Archaeological Museum of Naples, Italy

Ciclopes na forja de Hefesto. Fresco romano de Pompeii séc. I d.C., Museu Arqueológico de Nápoles, Itália.

Referência:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

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Ceto

Herakles and Ketos, Krater, Fine Arts Museum, Bosto, Massachusetts, USA

Héracles e Ceto, cratera, Museu de Belas Artes de Boston, Massachusetts, EUA.

Κῆτος (Kêtos), Ceto, “monstro marinho”, baleia, crocodilo, hipopótamo. Diga-se de passagem, que o latim cetus é mera transliteração do grego κῆτος (kêtos), “ceto” e, através de seus derivados, as formas vernáculas “cetáceo, cetodonte, cetogênio, cetografia, cetologia, cetina”. Ceto designa igualmente a constelação da Baleia. Cetus também é identificado com Tiamat, a serpente da antiga mitologia assíria e babilônica.

O monstro marinho enviado por Posídon para assolar a Etiópia depois de a rainha Cassiopeia ter se gabado de sua beleza com as Nereidas. O oráculo de Amon disse que apenas o sacrifício de Andrômeda a Ceto poderia salvar a terra, e por isso a infeliz princesa foi acorrentada nua a rochas próximas ao mar.

Perseu a viu e, após ter feito um acordo com os pais de Andrômeda para obter sua mão em casamento, a salvou. Ele usou os apetrechos concedidos pelas ninfas estígias (as sandálias aladas e o capacete de Hades) para derrotar o monstro. Segundo outra versão, ele sobrevoou o monstro montado em Pégaso e usou a recém decepada cabeça da górgona Medusa para petrificar Ceto.

Herakles and Ketos, hydrian, ca 530-520BC, at Stavros S Niarchos Collection, Athens, Greece.

Héracles e Ceto, hídria (530-520a.C.), Stavros S Niarchos Collection, Atenas, Grécia.

Além do Ceto enviado a Etiópia, conta-se também que um monstro marinho, igualmente enviado por Posídon, assolou a cidade de Troia como punição pela recusa do rei Laomedonte a pagar-lhe para a construção de muros de fortificação da cidade. Troia tinha a impenetrável muralha graças aos deuses Apolo e Posídon, mas quando trabalho dos deuses estava feito, Laomedonte recusou-se pagar o que havia prometido. Apolo fez uma praga tomar conta da cidade, enquanto Posídon enviou para sua costa um monstro do mar, que devorava quem quer que se aproximasse das praias. Vendo que suas tribulações não tinham fim, os troianos, desesperados, consultaram o oráculo para saber como se livrar dos desastres que se abatiam sobre eles. Um oráculo declarou que a única maneira de se livrar da besta era oferecer a filha do rei como sacrifício. Laomedonte amava sua filha, mas foi obrigado pelo povo a ceder. A jovem Hesíone foi aprisionada às rochas, onde ela foi resgatada por Héracles que despachou a fera com um anzol ou saraivada de flechas.

by Sidney Hall -Urania's Mirror -Cetus (1825)

Constelação de Ceto (1825), por Sidney Hall.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

DIXON-KENNEDY, M. Encyclopedia of Greco-roman mythology. California, 1998.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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Javali de Erimanto

Herakles brings Eurytheus the Erymanthian boar. Attic black-figured amphora, ca. 550 BC. From Vulci. At British Museum, London.

Héracles, Euristeu e o Javali de Erimanto. Ânfora ática (~550a.C.), Museu Britânico, Londres.

Ὑς Ερυμανθιος (Hus Erymanthios), Javali de Erimanto, era um animal feroz que sempre descia a montanha arruinando as plantações, aterrorizando e destruindo tudo que encontrava pelo seu caminho. Tinha esse nome porque viveu na famosa Erimanto, uma escura montanha na Arcádia.

Ele era um monstro antropófago, podia causar abalos sísmicos e, com suas presas, era capaz de arrancar pela raiz uma árvore corpulenta e dilacerar homens ou animais que se interpusessem em seu caminho.

Héracles foi enviado para capturá-lo como um de seus Doze Trabalhos. Designado pelo mesquinho rei Euristeu, o herói, em seu quarto trabalho, deveria levar o javali vivo para Micenas. Depois de perseguir o javali através da neve espessa que encobria o monte Erimanto no inverno, o animal fatigado foi capturado e levado até Euristeu. O rei, aterrorizado com a visão do javali mortal, pulou dentro de um jarro para manter-se seguro.

Javali1.1

Euristeu aterrorizado dentro do vaso de barro

O simbolismo do javali está diretamente relacionado com a tradição hiperbórea, com aquele nostálgico paraíso perdido, onde se localizaria a Ilha dos Bem-Aventurados. Nesse enfoque o javali configuraria o poder espiritual, em contraposição com o urso, símbolo de poder temporal. Assim concebida, a simbólica do javali estaria relacionada com o retiro solitário do druida nas florestas: nutre-se da glande do carvalho, árvore sagrada, e a javalina com seus nove filhotes escava a terra em torno da macieira, a árvore da imortalidade.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, Menelaos. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Pégaso

Pegasus at the spring, Apulian red-figure vase C4th B.C., Tampa Museum of Art

Pégaso na primavera, vaso apúlio em pintura vermalha séc. IV a.C, Tampa Museum of Art, Flórida, EUA.

Πήγασος (Pégasos), Pégaso, deriva de πηγή (pégue), “fonte”, pelo fato de Pégaso ter feito nascer a fonte Hipocrene (fonte do cavalo), ferindo violentamente o monte Hélicon com uma patada. Talvez o nome do famoso cavalo prenda-se a πηγóς (pegós), “forte, sólido”.

Pégaso passa por ser filho de Posídon e de Medusa, ou da própria terra, fecundada pelo sangue da górgona. Conta-se que Perseu, a mando do tirano Polidectes, ao cortar a cabeça da Medusa, grávida de Posídon, teve uma grande surpresa: do pescoço ensanguentado do monstro nasceram o gigante Crisaor e o cavalo alado Pégaso, ou, segundo uma variante, conforme se viu, este teria nascido de Gaia, “a terra”, fecundada pelo sangue da górgona.

Após relevantes serviços prestados a Perseu, o ginete divino voou para o Olimpo, onde se colocou a serviço de Zeus.

Dela, quando Perseu lhe decapitou o pescoço,
surgiram o grande Aurigládio e o cavalo Pégaso;
tem este nome porque ao pé das águas do Oceano
nasceu, o outro com o gládio de ouro nas mãos,
voando ele abandonou a terra mãe de rebanhos
e foi aos imortais e habita o palácio de Zeus,
portador de trovão e relâmpago de Zeus sábio.
Teogonia, vv. 280-286.

A respeito da maneira como Pégaso desceu para ajudar Belerofonte, as tradições variam: Atena e Posídon o teriam levado ao herói ou este, por inspiração de Atena, o encontrara junto à fonte Pirene. Foi graças o ginete divino que Belerofonte pôde executar duas das grandes tarefas que lhe impusera Iobates: matar a Quimera e derrotar as Amazonas. Após a morte trágica do herói, Pégaso retornou para junto dos deuses.

BellerophonFightsChimera

Belerofonte cavalgando Pégaso e enfrentando a Quimera. Medalhão central de um mosaico romano restaurado encontrado em 1830, Museu Rodin, Paris.

No grande concurso de cantos entre as Piérides e as Musas, o monte Hélicon, sede do certame, se envaideceu e se enfunou tanto de prazer, que ameaçou atingir o Olimpo. Posídon ordenou a Pégaso que desse uma patada no monte, a fim de que ele voltasse às dimensões normais e guardasse “seus limites”. Hélicon obedeceu, mas, no local atingido por Pégaso, brotou uma fonte, Hipocrene, a Fonte do cavalo.

Pégaso, cavalo alado, está sempre relacionado com  a água, daí sua etimologia popular, como proveniente de pegué, fonte. Filho de Posídon e Medusa, teria nascido junto às fontes do Oceano. Belerofonte o encontrou bebendo na fonte Pirene. Com uma só patada fez brotar a Hipocrene, fonte do cavalo. Está também ligado às tempestades, por isso que é o “portador do trovão e do raio por conta do prudente Zeus”. Pégaso é, por conseguinte, uma fonte alada: fecundidade e elevação. O simples cavalo figura tradicionalmente a impetuosidade dos desejos. Quando o ser humano faz corpo com o cavalo, torna-se um monstro, como o Centauro, imaginação criadora sublimada e sua elevação real.

Birth_Of_Pegasus_by_LindaLisa

O nascimento de Pégaso por LindaLisa via Deviantart.

Com efeito, foi cavalgando Pégaso que Belerofonte matou a Quimera. Temos aí os dois sentidos da fonte e das asas: a fecundidade e a criatividade espiritual. É que, como dizia o poeta latino, alis grave nil, para os que têm ideal, as dificuldades não pesam tanto: nada é pesado quando se tem asas… Não é em vão que Pégaso se tornou o símbolo da inspiração poética.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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Quimera

Chimera. Apulian red-figure dish, ca. 350-340 BC, Louvre Museum III.jpg

Quimera, representação em um prato (~350-340a.C.), Museu do Louvre, Paris.

Χίμαιρα (Khímaira), Quimera, ainda não possui etimologia clara. A relação etimológica entre χίμαρος (khímaros), “cabrito”, e χίμαιρα (khímaira), “cabrita de um ano, nascida no ano anterior” é defendida por alguns etimólogos.

O sentido mais comum dado a Quimera, no mito, é de um monstro, filha de Tífon e de Equidna que tinha por irmãos o Leão de Nemeia, a Hidra de Lerna, Ortro, Cérbero e os criaturas terríveis.

São muitas formas por que se apresenta Quimera, mas a fusão de cabra com o leão é uma constante. Trata-se, pois, de um monstro híbrido, com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente e, segundo outros, de três cabeças diferentes: na frente, um leão; atrás, um dragão (ou serpente) e, no meio, uma cabra selvagem. A cabeça da caprina era a mais perigosa, pois cuspia fogo pela boca. Segundo outra versão, as chamas eram lançadas pelas narinas da cabeça de serpente.

Criada por Amisódaro, rei da Cária, vivia em Patera, devastando a região e sobretudo devorando os rebanhos. Por toda a redondeza, a Quimera espalhava a catástrofe e a morte. E não eram só os homens e os animais que ela matava e fazia em pedaços; de sua fúria destruidora não se salvavam nem as lavouras, nem os frondosos bosques. Tudo se queimava com as chamas que ela lançava de sua boca caprina.

Ela [Equidna] pariu a Cabra que sopra irrepelível fogo,
a terrível e grande e de pés ligeiros e cruel,
tinha três cabeças: uma de leão de olhos rútilos,
outra de cabra, outra de víbora, cruel serpente.
Na frente leão, atrás serpente, no meio cabra,
expirando o terrível furor do fogo aceso.
Teogonia, vv. 319-324

Cavalgando Pégaso, cavalo alado, Belerofonte, de um só golpe, cortou as cabeças da Quimera. Outra tradição conta que Belerofonte matou a quimera com muitas flechadas.

  Chimere 3

 Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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