O nascimento de Héracles parte II: Zeus e Alcmena

Após enfrentar vários obstáculos, o casamento Anfítrion e Alcmena finalmente aconteceu. Contudo, Anfítrion logo partiu para a guerra contra os teléboas, enquanto a esposa esperava pela volta do marido.

Tudo que havia acontecido, como foi visto, era pela vontade do poderoso Zeus, senhor dos deuses e dos homens.

Depois de Alcmena ficar sozinha por alguns dias, Zeus tomou a forma de Anfítrion, abriu a porta do quarto da jovem noiva e precipitou-se, exclamando entusiasticamente: – Vitória! Uma grande vitória! Esmagamos os teléboas! – e, com um expressão de grande júbilo, tomou-a nos braços e beijou-a. Depois contou-lhe toda a história da batalha de que teria participado, narrando relatos vívidos de feitos corajosos.

Zeus cortejando Alcmena com a ajuda de Hermes, cratera em terracota (~360-330a.C.), Museu do Vaticano.

Zeus cortejando Alcmena com a ajuda de Hermes, pintado por Asteas, cratera em terracota (~360-330a.C.), Museu do Vaticano.

Aquele detalhes deram o toque final à dissimulação. Convencida de que aquele homem era seu marido, Alcmena abraçou Zeus sem a menor desconfiança e passou uma longa noite de felicidade com ele – não foi uma noite como as outras, mas uma noite que durou três noites seguidas. Tal foi o desejo do poderoso Zeus.

Para conseguir isso, ele convocara Hermes e mandara que voasse até Hélios, o Sol, informando-o de que, por ordem de Zeus, devia fica em seu palácio brilhante o dia inteiro, sem cumprir sua habitual jornada pelos céus.

Feito isso, Zeus enviou Hermes até as Horas, de modo a impedi-las de aprontar os cavalos alados e do deslumbrante carro de Hélios, uma vez que, assim feito, mesmo que não quisesse, o deus do dia se veria resignado a obedecer.

De bom ou mau grado, Hélios deixou de fazer seu trajeto diário pela face da Terra e permaneceu em seu palácio, resmungando: – Ora, como andam as coisas! Era melhor quando o grande Cronos comandava. Naquela época, pelo menos sabíamos a diferença entre o dia e a noite, e ele não deixava sua esposa para sair correndo atrás de aventuras em Tebas!

Mas Zeus ainda não tinha terminado de dar suas ordens a Hermes, e o mensageiro dos deuses foi, em seguida, até Selene, a Lua, ordenar-lhe que prolongasse sua permanência no céu. A Lua, como seu irmão, o Sol, não teve escolha senão acatar a ordem.

Por fim, Hermes foi até Hipnos, o deus do sono, e lhe disse que, por decreto de Zeus, ele deveria fazer todos os homens caírem num sono profundo. Essa ordem também foi cumprida e, por isso, ninguém no mundo suspeitou de que o sono de uma noite tinha durado três.

Finalmente, rompeu um novo dia. Zeus desapareceu e, um pouco mais tarde, o Anfítrion verdadeiro entrava em cena. Todo entusiasmado por ter voltado vitorioso, correu para abraçar a noiva. Mas ela, como era natural, não mostrou grande alegria ao vê-lo. Anfítrion ficou aturdido quando sua esposa lhe dissera que haviam passado a noite juntos, mas estava tão excitado com a sua vitória e por estarem juntos, que não se deteve a pensar. Em vez disso, começou a descrever detalhadamente a grande batalha e o papel heroico que tinha desempenhado nela.

Mais uma vez, Alcmena não mostrou interesse, pois já sabia da história. Anfítrion não pôde acreditar no que ocorria. Contudo, nada disse a Alcmena. Seguiu ao oráculo de Delfos, procurando explicação para as estranhas observações da esposa. Lá ficou sabendo o que acontecera em sua ausência e também que, no devido tempo, sua mulher daria à luz dois filhos, um dos quais seria de Zeus e estaria destinado a ser o mais poderoso herói de toda de Grécia, Héracles.

Referência:

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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