Medusa

Medusa (1595-96), by Carvaggio, Galleria degli Uffizi, Itália.

Medusa (1595-96), por Carvaggio, Galleria degli Uffizi, Itália.

Μέδουσα (Médusa), Medusa, é um particípio presente feminino do verbo μέδειν (médein), “comandar, reinar sobre”, donde Medusa é “a que comanda, a que reina”. Etimologicamente, Médusa, está presa à raiz indo-europeia med-, que, em outras línguas aparece com significações diversas: latim modus, “medida, moderação”, meditari, “refletir, meditar”. No irlandês antigo midiur é “eu penso, eu julgo”. Esta noção de pensamento que “regula, modera” está presente no osco mediss, “aquele que julga”, umbro mers, “direito”. Por vezes, o radical med- forneceu termos relativos à medicina, “o médico que regula, domina a doença”, daí o latim mederi, “cuidar de”, medicus, “o que cuida de”. No germânico a raiz se especializou no sentido de “medir, avaliar”, gótico mitan, anglo-saxão metan, antigo alemão messen. Em síntese, o sentido geral da raiz med-, que originou Medusa, “é assumir com autoridade as medidas apropriadas”

Das três Górgonas só Medusa era mortal. Filha de Fórcis e Ceto, vivia com suas duas irmãs em uma ilha na extremidade do mundo, no meio do Grande Oceano, junto ao país das Hespérides. Eram três monstros horripilantes, com grandes asas negras e o corpo coberto de escamas. Seus dedos terminavam em garras recurvas; nas cabeças, em vez de cabelos, tinha um emaranhado de serpentes venenosas, Suas línguas e dois dentes enormes ficavam pendurados do lado de fora da boca e seu olhar era horrendo e selvagem. Além de serem figuras terríveis, seus olhos eram flamejantes e o olhar tão penetrante, que transformavam em pedra quem as fixasse. Eram espantosas e temidas não só pelos homens, mas também pelos deuses.

Perseu decapitando Medusa, vaso ático (~460a.C.), Museu Britânico.

Perseu decapitando Medusa, vaso ático (~460a.C.), Museu Britânico.

Apenas Posídon ousou aproximar-se de Medusa e fazê-la mãe de Crisaor e Pégaso. Encarregado por Polidectes de lhe trazer a cabeça da górgona, Perseu viajou para o Ocidente. Utilizando determinados objetos mágicos, que pegou emprestado com as ninfas estígias, e sobretudo o seu escudo de bronze, o filho de Dânae pairou acima dos três monstros, graças às sandálias aladas. As górgonas dormiam profundamente. Sem poder olhar diretamente para Medusa, o herói refletiu-lhe a cabeça no escudo e, com a espada que lhe dera Hermes, decapitou o monstro.

Do pescoço ensanguentado de Medusa saíram dois seres engendrados pelo deus Posídon: Crisaor e Pégaso.

Gerou Górgonas que habitam além do ínclito Oceano
os confins da noite (onde as Hespérides cantoras):
Esteno, Euríale e Medusa que sofreu o funesto,
era mortal, as outras imortais e sem velhice
ambas, mas com ela deitou-se o Crina-preta
no macio prado entre flores de primavera.
Dela, quando Perseu lhe decapitou o pescoço,
surgiram o grande Aurigládio e o cavalo Pégaso;
Teogonia, vv. 274-281.

Perseu utilizou a cabeça recém decepada como arma. Em sua viagem de retorno, num ato descuidado, petrificou o titã Atlas. Posteriormente cabeça de Medusa foi colocada por Atena em seu escudo ou no centro da égide. Assim os inimigos da deus eram transformados em pedra, se olhassem para ela. O sangue que escorreu do pescoço da górgona foi recolhido por Perseu, uma vez que este era detentor de propriedades mágicas: o que flui na veia esquerda era um veneno mortal, instantâneo; o da veia direita era uma remédio salutar, capaz até mesmo de ressuscitar os mortos.

Cabeza de Medusa, por Peter Paul Rubens (1617-18)

Cabeça da Medusa (1617-18), por Peter Paul Rubens, Museu de História da Arte em Viena, Áustria.

Conta-se que Medusa era uma jovem lindíssima e muito orgulhosa de suas madeixas. Tendo, porém, ousado competir em beleza com Atena, esta eriçou-lhe a cabeça de serpentes e transformou-a em górgona.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. Trad. TORRANO, J. A. A. São Paulo: Iluminuras.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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