Belerofonte contra a Quimera

The Winged Horse, by Mary Hamilton Frye (1914)

Belerofonte e Pégaso, por Mary Hamilton Frye (1914).

Depois de domar Pégaso, Belerofonte conduziu o já manso animal à fonte e, tendo ambos bebido água, montou nele. Puxou um pouco as rédeas, ao que imediatamente o cavalo abriu as grandes asas brancas e, com Belerofonte às costas, voou  em direção ao céu. O sonho se tornara realidade!

Agora, conduzindo Pégaso, o herói não se fartava de apreciar aquele incrível voo nas alturas. Enquanto seu peito se enchia de ar puro, seus olhos presenciavam um espetáculo grandioso. Como que enfeitiçado, via a terra de cima e olhava as montanhas com bosques verdejantes, os rios que reluziam ao sol, o mar e suas muitas ilhas… Então o herói tomou forças, voando assim como um deus, em companhia das nuvens.

Não tardaram a chega à Lícia. Belerofonte vasculhou por toda parte para descobrir onde morava a Quimera. Logo chegaram a um lugar deserto, sem árvore alguma. O herói conduziu Pégaso mais baixo para ver melhor.

Não havia uma folha verde sequer, em lugar nenhum. Apenas troncos de árvores queimadas encontravam-se aqui e ali. Entre eles estavam espalhados ossos de animais e, às vezes, de humanos também. Era evidente que em algum lugar por ali deveria estar o covil do monstro.

Belerofonte montado Pégaso e matando a Quimera. Medalhão central restaurado de um mosaico romano de mais de 100m² descoberto em 1830 em Autun, França.

Belerofonte montado Pégaso e matando a Quimera. Medalhão central restaurado de um mosaico romano de mais de 100m² descoberto em 1830 em Autun, França.

Mas eis que a Quimera saiu de seu abrigo. Percebendo que algo incomum acontecia, quis ver do que se tratava. O herói, junto com Pégaso, atentou para ela. Era um monstro repugnante e assustador, mas Belerofonte não teve medo. Pégaso apenas voou mais alto nesse instante, e felizmente, porque a Quimera começou a vomitar fogo pela boca caprina. Se as chamas tocassem o herói e seu cavalo, estariam ambos perdidos.

A besta, vendo que eles haviam escapado, enfureceu-se e começou a berrar e silvar terrivelmente, arremessando o mais longe que podia suas chamas, que brilhavam como relâmpagos em meio ao céu nublado: parecia que uma furiosa tempestade estava prestes a cair.

Bellerophon and the Chimaera, by Walter Crane

Belerofonte mata a Quimera, por Walter Crane.

Belerofonte nem assim teve medo. Montado em Pégaso, voava alto o suficiente para que as chamas não pudessem atingi-los. E agora havia chegado sua vez! Com movimentos lentos e seguros, ele retirou o arco do ombro: em seguida, pegou uma flecha da aljava, retesou o arco com toda a força, apontou cuidadosamente e, quando disparou, um assobio rasgou o ar. Logo um urro pavoroso mostrou que a seta não errara o alvo. Lépido, Belerofonte pegou outra flecha e atirou de novo. Depois outra e outra. A cada tiro ouviam-se os urros de aflição da Quimera. Incapaz de resistir, o monstro levou tantas flechadas que, num espasmo estrondoso, desmoronou morto no chão. A invencível Quimera foi vencida.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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