Belerofonte, o neto de Sísifo

Julius Troschel  Bellerophon and Pegasus - 1840-50

Belerofonte e Pégaso, por Julius Troschel (1840-50)

Com a morte de Sísifo, seu filho Glauco subiu ao trono de Corinto. O herói Belerofonte era filho de Glauco. Esse glorioso herói chamava-se Hipónoo no princípio, mas esse nome foi esquecido quando, ainda muito jovem, matou um terrível ladrão que havia se tornado o terror de toda Corinto. O nome desse malfeitor era Belero. Depois dessa inacreditável proeza, todos passaram a chamá-lo Belerofonte, “o matador de Belero”.

Embora o feito do jovem herói tenha trazido um grande alívio para todos, o deus da guerra zangou-se com ele e exigiu seu castigo. Belerofonte foi então obrigado a fugir de Corinto e abrigou-se na vizinha Tirinto. Era a época em que naquela cidade reinava Preto, filho de Abas (e irmão de Acrísio, o avô de Perseu), que o recebeu de bom grado. Belerofonte se pôs a serviço do rei e, com zelo e abnegação, executava os seus mais difíceis mandados, surpreendendo-o frequentemente.

O filho de Glauco, que era belo como um deus, provocou também a admiração da rainha Estenebeia, admiração que logo tornou-se um amor irreprimível. Um dia, na ausência de Preto, Estenebeia não hesitou em falar com o belo jovem. Belerofonte recusou o seu amor. Como poderia se comportar de maneira tão vil com o homem que o havia acolhido e ajudado com tanta diligência?! Se nobre coração não admitia isso. No entanto, a rainha ficou terrivelmente zangada, e o amor se transformou em um ódio fatal. Agora já não pensava em mais nada, a não ser em como poderia achar um meio de liquidá-lo. Enfim, sem qualquer hesitação, foi até Preto e lhe disse que o homem que ele havia acolhido em seu palácio tentou desonrá-la. Preto ficou estupefato. Afinal, por mais estima que tivesse por seu hóspede, não podia imaginar que fosse possível sua mulher contar uma mentira como aquela.

O peito de Preto se insuflou de raiva. A rainha disse que a única solução era matar o jovem herói. Mas, ao ouvir essas palavras, o rei ficou muito pensativo. Leis sagradas proibiam que se desse tal castigo a um hóspede. Entretanto, não tardou a encontrar uma maneira de satisfazer o desejo da mulher: em vez de ele mesmo matar Belerofonte, o pai de Estenebeia, Iobates, rei da Lícia, poderia fazê-lo.

Assim, sentou-se e pôs-se a escrever estas palavras: “Aquele que lhe traz esta carta tentou desonrar sua filha, por isso deve morrer.” Em seguida, selou-a e a entregou a Belerofonte, para que a levasse a Iobates. Sem desconfiar de nada, o inocente jovem pegou a carta e rumou a Lícia.  Ao chegar, de carta na mão, apresentou-se a Iobates. Este, contudo, ao saber que o rapaz era enviado de seu genro, ficou tão feliz que abandonou a carta num canto e o recebeu com festas e horarias que duraram nove dias inteiros.

No décimo dia, Iobates decidiu ler o que Preto lhe havia escrito e, então, sumiu-lhe toda a alegria, e seu rosto endureceu. Era inacreditável! O homem que ele acolheu em sua casa com tanto entusiasmo havia ultrajado descaradamente a sua filha?! Todavia, não quis matar Belerofonte pessoalmente, pelas mesmas razões de Preto.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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