O regresso de Teseu

Após derrotar o Minotauro, Teseu faz sua viagem de retorno a Atenas. Porém, antes de partir, fura os cascos dos navios cretenses para que Minos não consiga persegui-lo.

Quando Minos tomou conhecimento do que ocorrera, ficou cheio de cólera. Tinha muitos motivos para isso: não apenas Teseu matara o Minotauro, como todos haviam escapado… e o pior de tudo, com a ajuda de Ariadne, sua própria filha, que fugia com eles. O rei ordenou que lançassem os navios ao mar e se pudesse a perseguir os fugitivos, mas as embarcações, como estavam furadas, naufragaram todas.

Por fim Minos se conformou e disse: – Que assim seja! Essa era a vontade dos deuses. Ariadne é minha filha; que seja feliz. Quanto a Teseu, apesar de tudo, não se trata de um simples aventureiro, uma vez que é filho de Posídon.

O navio de Teseu fez escala em Naxos, para que ali pudessem descansar. Dormiram na areia. Entretanto, de noite, Dioniso, o deus do entusiasmo, apareceu no sonho de Teseu:

– Vocês devem se levantar e partir sem Ariadne, porque essa é a vontade de Zeus, pai dos deuses e dos homens!

Triste, mas sem poder desacatar a ordem do deus, Teseu despertou os companheiros. Tendo-lhes dito o que vira em um sonho, decidiram partir imediatamente. Desse modo, retomaram o caminho em direção a Atenas, deixando Ariadne a dormir. Quando ela acordou e se viu sozinha, chorou amargamente por causa da ingratidão de Teseu. Nesse momento, Dioniso surgiu diante dela:

– Não há ingratidão alguma – disse-lhe. – Teseu de nada tem culpa. Eu ordenei que fosse embora e a deixasse na praia. Afinal, é a vontade do grande Zeus que você se torne minha mulher.

Assim, Ariadne, filha de Minos, casou-se com o deus Dioniso.

Em Atenas, Egeu não conseguia abrandar sua dor deses o momento em que seu filho havia partido com os outros rapazes e moças. Não pregou o olho nem por uma noite e, por fim, decidiu descer até o cabo Súnion. Sentou-se em uma alta rocha sobre o mar, olhando persistentemente ao longe, com a esperança de avistar as velas brancas de Teseu e amainar o peso que lhe oprimia o coração.

King Aegeus and the return of Theseus by Panaiotis on deviantART

Rei Egeu e o retorno de Teseu, por Panaiotis (via DeviantArt)

E eis que no horizonte eclode um pequeno, muito pequeno e escuro ponto. Egue não ousou acreditar serem velas negras no navio que tanto esperava. Mas a pequena forma crescia, lentamente, até que o velho rei viu com clareza as velas da desgraça e da morte. Então havia acontecido aquilo que ele mais temia: seu filho fora devorado pelo Minotauro!

Perdido, Egeu olhou mais uma vez o pano negro que lhe dilacerava o peito e, não podendo mais suportar, atirou-se da alta rocha no mar espumante que passou a se chamar Mar Egeu.

Tudo isso porque Teseu, tomado pelas grandes emoções das aventuras que vivera, sequer se lembrou de trocar as velas negras pelas brancas. Enquanto Egeu desaparecia entre as ondas, o herói, feliz e despreocupado, navegava para Atenas.

Assim que Teseu e seus companheiros chegaram ao continente, em Fálero, ele ordenou a um arauto que corresse logo à cidade com as boas notícias, alegrando Egeu e todos os atenienses. Ele decidira ficar junto dos companheiros para realizarem os devidos sacrifícios as deuses, em agradecimento pela salvação e pela vitória.

Já havia terminado essas celebrações quando viram o arauto retornando, acompanhado de atenienses que se aproximavam gritando: “Eleleu! Iu! Iu!”.

Todos se espantaram com aquele gritos: “Eleleu” significava alegria; “Iu! Iu!”, tristeza.

Contudo, não demoraram a ficar sabendo da dolorosa notícia, e Teseu chorou inconsolavelmente a perda vã de seu pai, transtornado com sua falta imperdoável ao esquecer-se de trocar as velas. Do mesmo modo, seus companheiros choraram pela perda do rei Egeu. Apesar de tudo, não era hora só de pranto, mas também de regozijo. Por isso, a volta de Teseu a Atenas foi uma marca de triunfo. À frente ia o próprio herói, seguido pelos dois valorosos jovens que haviam se passado por garotas, e mais atrás, os outros rapazes e moças.

Com gritos de “Eleleu! Iu! Iu!”, toda a cidade recebeu os bravos guerreiros. Enquanto muitos lançavam sobre eles ramos de oliveira, outros lhes colocavam sobre as cabeças coroas enfeitadas com fitas brancas, o que até então só se fazia com as estátuas dos deuses.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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