Perseu e Atlas

Após decepar Medusa, Perseu continuou sua viagem até chegar a um lugar onde se defrontou com um espetáculo incrível: um enorme gigante sustentando nos ombros a abóbada celeste! Era Atlas, o titã castigado pelo grande Zeus com o suplício de segurar para sempre essa carga insuportável, por haver lutado contra os deuses na terrível titanomaquia.

Cheio de admiração pela força inacreditável de Atlas, Perseu desceu ao solo e se apresentou ao gigante. Queria muito conhecer de perto o deus mais forte do mundo, mas o titã não o recebeu bem. Havia uma profecia segundo a qual um filho de Zeus viria àquelas paragens para pegar os pomos de ouro do jardim das Hespérides (o filho de Zeus em questão era Héracles, que buscou os pomos em seu décimo primeiro trabalho). Embora Ládon, um dragão cruel, vigiasse o jardim, Atlas muito se preocupava com o possível desaparecimento dos pomos de ouro. Por isso, mal viu Perseu, espantou-se e perguntou-lhe quem era e o que buscava naquele lugar tão remoto, onde homem algum jamais havia pisado.

– Sou Perseu, filho de Zeus. Venho de…

Atlas não o deixou terminar a frase. Ao ouvir que i estranho era filho de Zeus, pensou nos pomos de ouro e gritou:

– Ladrão! Veio aqui buscar o mais precioso tesouro que guardamos nesse lugar! Suma depressa de minha vista antes que eu chama Ládon, que o fará em pedaços!

– Não sou ladrão nem vim tomar nada de você. Estava passando por aqui porque fui matar a górgona Medusa. Veja, dentro desta sacola trago a cabeça do monstro.

– Você não só é ladrão como também mentiroso, pois ousa me dizer que traz consigo a cabeça da Medusa. Como se alguém pudesse decepar aquelar criatura!

– Pois eu consegui! Veja por si mesmo!

Perseu tirou da sacola a medonha cabeça e a exibiu ao titã. Então aconteceu um espetáculo estarrecedor: ao olhar nos olhos de Medusa, Atlas se petrificou. Todo o seu corpo se transformou numa imensa montanha; seus cabelos e barba viraram florestas e sua cabeça, o cume. Sobre esse cume, desde então, se apóia a abóboda celeste. Até hoje esse montanha chama-se Atlas.

Atlas Turned to Stone, by Edward Burne-Jones (1878)

Atlas transformado em pedra, por Edward Burne-Jones (1878).

O jovem herói ficou aterrorizado. Jamais imaginou que aquela cabeça decepada teria o poder de transformar em pedra um titã como Atlas, que além do mais era imortal. Extremamente penalizado, colocou novamente a cabeça da Medusa na sacola e voou.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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