Perseu contra Medusa: preliminares

O rei Polidectes decidiu se livrar de Perseu. Imaginava que assim Dânae não apenas ficaria desprotegida, como também sofreria uma imensa solidão e não teria mais forças para resistir às pressões. Então, Polidectes pôs em prática um plano terrível. Chamou ao palácio todos os nobres da ilha, inclusive Perseu, e disse-lhes:

– Finalmente desisti de me casar com Dânae. Pedirei a Enomeu, rei de Pisa, a mão de sua filha Hipodâmia. Entretanto, como eu, sendo rei de uma pequena ilha, parecerei muito humilde ao rei da poderosa Pisa, imaginei que só lograrei impressioná-lo se lhe oferecer ricos presentes. Por essas, razão, venho lhes pedir que cada um me dê um cavalo, para que eu os ossa oferecer a Enomeu.

Todos aceitaram, mas Perseu ficou preocupado e disse:

– Não tenho cavalo, nem ouro ara comprar um. Ordene-me, porém, que lhe traga qualquer outra coisa. Fiquei tão feliz em saber que você não pensa mais em se casar com a minha mãe, que estou disposto até mesmo a lhe trazer a cabeça da Medusa, se essa for a sua vontade.

Todos sabiam que Medusa era uma temível górgona, cuja cabeça tinha o poder de transformar em pedra que a olhasse. Portanto, era consenso que ninguém podia decepá-la. Perseu apenas se utilizara de uma expressão muito comum quando alguém queria enfatizar o quanto se dispunha a levar a cabo uma ordem ou pedido. Polidectes, todavia, imediatamente gritou:

– Isso mesmo! Exatamente o tipo de presente que desejo! Vá buscar para mim a cabeça da Medusa e eu, fique seguro, jamais voltarei a incomodar sua mãe!

Perseu não esperava aquela réplica, tomou-se de surpresa, mas não fraquejou. Lançou um olhar de ódio para o rei e disse que traria o que lhe foi pedido. O jovem herói saiu do palácio rumo ao desconhecido, enquanto Polidectes, com um sorriso irônico nos lábios, dizia a seus amigos:

– Não preciso  dos cavalos de que lhes falei. Meu plano funcionou. Consegui mandar Perseu exatamente para onde eu queria. Agora que Dânae ficou só, certamente se tornará minha esposa.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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