Pã e Siringe

PanPã era um deus das montanhas, e sua região favorita era a Arcádia, onde nascera. Filho de Hermes e da ninfa Dríope, Pã nasceu diferente: peludo, com orelhas pontudas, chifres e cascos de bodes. Era protetor dos pastores e caçadores, também gostava de dançar e cantar. Porém, o que mais amava era tocar sua flauta.

Apesar de ser muito bondoso e de não desejar fazer mal algum, Pã era temido e causava terror por onde passava. Também não quis causar nenhum mal a bela ninfa do bosque, Siringe, por quem se apaixonara à primeira vista. Entretanto, ela fugiu em pânico ao se deparar com a figura do deus. Pã saiu atrás dela, numa perseguição que teve um fim imprevisível. Quanto mais ele corria, mais rápido corria a ninfa. Até que Siringe viu se caminho bloqueado pelo caudaloso rio Ládon e, horrorizada, viu que Pã se aproximava velozmente.

Em desespero, pediu que o deus do rio a salvasse e, no momento em que Pã esticava o braço para alcançá-la, Ládon transformou-a em bambu. Desolado com a perda da encantadora donzela, que desaparecera diante de seus olhos, Pã ficou examinando o bambu em suas mãos. Não queria jogá-lo fora. Ouvindo o barulho que o vento fazia ao passar pelo caule oco, teve uma ideia: cortou-o em vários pedaços pequenos, de tamanhos diferentes, e, começando pelo maior, prendeu-os lado a lado com cera. Desse modo, criou um no instrumento musical: a siringe, ou a flauta de Pã, como hoje é conhecida. Assim que soprou entre seus orifícios, ficou encantado com a suavidade do som e nunca mais se separou dela. Pã era um músico extraordinário, superado apenas por Apolo.

Pã e Syrinx, por Nicolas Poussin (1637)

Pã e Sirene, por Nicolas Poussin (1637)

Relata a tradição que perto de Éfeso havia uma gruta, onde o deus depositou a primeira flauta. Com o tempo esta caverna passou a ser o local de atestado de virgindade. A jovem, que se dissesse virgem, passava a residir temporariamente na gruta. Se o fosse, ouviam-se sons maravilhosos provindos lá de dentro. A porta abria sozinha e a moça surgia coroada com folhas de pinheiro. Caso contrário, gritos fúnebres enchiam a caverna e, dias depois, aberta a porta, a perjura havia desaparecido.

Referências:

STEPHANIDES, M. Prometeu, os homens e outros mitos. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2004.

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.2. Petrópolis: Vozes, 2008.

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