Hidra de Lerna

Ὕδρα Λερναία (Hýdra Lernaía), Hidra de Lerna é um composto cuja etimologia tem que ser apontada separadamente. Ὕδρα (Hýdra), Hidra, é um derivado de ὕδωρ, ατος (hýdor, atos), “água”, em geral dos rios e da chuva e muito raramente do mar. Do radical ὕδρ- (hýdr-) é que procede  ὕδρα (hýdra), sobretudo Hidra de Lerna, “a serpente da água”, a coluber nutrix. A hýdra corresponde o sânscrito udrá, nome de um animal aquático, avéstico udra- “lontra”, antigo alemão ottar, alemão atual Otter, “víbora, lontra”, latim lutra ou lytra, “lontra”. Quando a Λέρνη (Lérne), Lerna, não se conhece a etimologia até o momento: trata-se de um lago ou pântano na Argólida, com um rio e aldeia do mesmo nome.

Hidra de Lerna

A Hidra de Lerna, figurada como uma serpente descomunal de muitas cabeças, era irmã do Leão de Nemeia morto por Héracles em seu primeiro trabalho. A hidra era um monstro horrível e venenoso que vivia no pântano espalhando destruição e morte para qualquer um que se aproximasse. Criada sobre um plátano, junto da fonte Amimone, perto do pântano de Lerna, na Argólida, foi colocada ali para provar o filho de Alcmena, que deveria eliminá-la em seu segundo trabalho.

O animal descomunal tinha várias cabeças, variando estas, segundo os autores, de cinco a seis e até mesmo a cem, sendo que uma delas era imortal. Não havia esperanças de que um dia algum homem a matasse, pois, além de o monstro ser extremamente fatal, o seu covil localizava-se nas profundezas do pântano, de onde ninguém pode se aproximar. Não bastasse isso, quando saía, escondia-se na água e nos juncos, atacando sua vítima desprevenida ou algum candidato a herói.

Hercules and Hydra

Para conseguir exterminar mais esse monstro, Héracles contou com a ajuda de seu sobrinho Iolau, porque, à medida que Héracles ia cortando as cabeças da Hidra, onde houvera uma, renasciam duas. Iolau pôs fogo numa floresta vizinha e com grande tições ia cauterizando as feridas, impedindo o reaparecimento das cabeças cortadas. A do meio era imortal, mas o herói a cortou assim mesmo: enterrou-a e colocou-lhe por cima um enorme rochedo. Antes de regressar, embebeu suas flechas na peçonha ou, conforme outros, no sangue da Hidra, envenenando-as.

Hidra

Referências:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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