Dédalo e o Labirinto

LabirintoDédalo, ao ser exilado de Atenas, partiu para Creta e lá realizou muitos trabalhos a pedido do rei Minos, sendo o maior deles o Labirinto.

O Labirinto era uma construção de toda complexa, com tantos partimentos e corredores, que quem nela entrasse jamais encontraria o caminho para sair.

Na parte mais recôndita do labirinto estava preso o Minotauro, um monstro com corpo de homem e cabeça de touro, devorador de homens. Teseu, o grande herói de Atenas, matou essa terrível fera e, assim, salvou seu povo do terrível tributo de sangue que há muito tempo era pago ao cruel Minos: todo ano, sete rapazes e sete donzelas eram trazidos de Atenas para serem devorados pelo Minotauro.

Quando o rei soube que Dédalo ajudara Teseu, sua ira foi tremenda. O artista e seu filho, Ícaro, foram presos, à noite, e colocados no mesmo labirinto. Agora os dois só pensavam em encontrar o caminho para sair dali e fugir de Creta.


Sobre o Labirinto:
Nome atribuído a uma construção extremamente complexa em Creta, onde ficava confinado o Minotauro. Segundo a tradição, foi projetado por Dédalo. O termo provém, provavelmente, de lábrys, uma palavra lídia ou cária que significa “machado de duplo corte”, um símbolo com conotações religiosas, encontrado com frequência esculpido em pedras e pilares em ruínas do período minoico. A ideia de labirinto talvez se deva ao projeto arquitetônico do grande palácio minoico em Cnossos.


Trecho das Metamorfoses de Ovídio:

Agora, o opróbrio da família crescera: estava à vista de todos,
pela estranheza do monstro biforme, o imundo adultério da mãe.
Minos decide expulsar esta vergonha para o seu matrimônio
e fechá-la numa casa complexíssima, de aposentos nas trevas.
Celebérrimo pelo seu talento na arte da arquitetura, Dédalo
encarrega-se da obra, baralha os sinais e faz o olhar enganar-se
em retorcidas curvas e contracurvas de corredores sem conta.
Tal como na Frígia o Meandro nas límpias águas se diverte
fluindo e refluindo num deslizar que confunde, e, correndo
ao encontro de si próprio, contempla a água que há de vir,
e, voltando-se ora para a nascente, ora para o mar aberto,
empurra a sua corrente sem rumo certo, assim enche Dédalo
os inumeráveis corredores equívocos. A custo ele próprio
logrou voltar à entrada: de tal forma enganador era o edifício.
Met. 8, 155-168


Sobre Dédalo:
Δαίδαλος (Daídalos), Dédalo, provém do verbo δαιδάλλοειν (daidállein), cujo sentido exato é “confeccionar com arte” alguma coisa. Dédalo, o grande arquiteto mítico, era ateniense, da família real de Cécrops e foi o mais famoso artista universal: além de arquiteto, era escultor e inventor consumado. Era a ele que se atribuíam as mais notáveis obras-de-arte da época arcaica, mesmo aquelas de caráter mítico, como as estátuas animadas de fala Platão no Mênon, 97-98. Foi exilado de Atenas sob a acusação de ter matado seu sobrinho e ajudante, Talos. Acolhido por Minos, tornou-se o arquiteto oficial do rei e, a pedido deste, construiu o célebre Labirinto, o gigantesco palácio de Cnossos, com um emaranhado de quartos, salas e corredores, que somente Dédalo seria capaz, lá entrando, de encontrar a saída. Foi nesse Labirinto que Minos colocou o Minotauro, produto da monstruosa união de Pasífae, esposa do rei, com um Touro, que Poseidon fizera sair do mar, para que lhe fosse sacrificado, conforme a promessa de Minos. Como este não cumprira o juramento, o deus fez que a esposa concebesse uma paixão irresistível pelo animal. Sem saber como entregar-se ao touro, Pasífae recorreu às artes de Dédalo, que fabricou uma novilha de bronze tão perfeita, que conseguiu enganar o animal. Dédalo ajudou Teseu a sair do Labirinto graças ao novelo que Ariadne, filha de Minos, entregou ao herói. Minos, ao saber disso, castigou Dédalo e seu filho, Ícaro, aprisionando-os no Labirinto. Então, Dédalo construiu asas e fugiu de Creta voando junto com o seu filho. Ícaro morreu, pois voou tão alto que o calor do Sol derreteu a cera que segurava as penas. Dédalo se refugiou na Sicília, terra do rei Cócalo. Este, matou o rei Minos. Dédalo se viu livre da perseguição e pôde voltar para Atenas (pois Teseu tinha subido ao trono e revogara seu exílio) onde passou o resto de seus dias.


Referêcias:

BRANDÃO, J. S. Dicionário mítico-etimológico v.1. Petrópolis: Vozes, 2008.

OVÍDIO. Metamorfoses. Trad. FARMHOUSE. P. Lisboa: Cotovia, 2007.

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

STEPHANIDES, M. Prometeu, os homens e outros mitos. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2004

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Uma opinião sobre “Dédalo e o Labirinto

  1. Paulo Sérgio

    Aqui onde trabalho tinha um rapaz meio hippie cujo nome era Bédaluz, segundo a mãe dele é uma variante do nome Dédalo. Será que procede?

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