Teseu contra o Minotauro

Em Creta, Encontraram Minos no porto a esperar por eles. Os jovens desembarcaram, e Minos olhava-os um por um, atentamente. Teseu ficou inquieto por causa dos dois valorosos rapazes vestidos de mulher, mas eles estavam tão perfeitamente disfarçados, que Minos nada percebeu. Seus olhos, contudo, pousaram sobre uma moça lindíssima, Eribeia. Como Minos não era de se importar com os outros, fazendo o que lhe vinha à cabeça, estendeu a mão e começou a importuná-la. Imediatamente Teseu apresentou-se corajoso: “Viemos aqui para morrer, não para sermos desonrados!” Minos logo perguntou quem era aquele insolente rapaz que ousava levantar a voz para o rei:

-Quem é você, que ousa me fazer advertências? Está se esquecendo de que sou rei da poderosa Creta? E se isso não bastar, fique sabendo que sou filho de Zeus! – voltou-se para o céu e gritou: – Zeus, meu pai, por favor, mostre que eu sou!

Um raio brilhou no céu sem nuvens, sinal de que Zeus reconhecia seu filho. Teseu ficou surpreso, mas nem assim perdeu a coragem e retrucou:

– Se isso tem tanta importância, devo dizer-lhe que também sou filho de um deus, o deus que governa os mares. Sou filho de Poseidon!

Minos, totalmente cético, Tirou seu anel e lançou-o, com toda força, ao mar, e disse que se Teseu fosse realmente filho de Poseidon, poderia trazê-lo de volta. Teseu, dando um mergulho, desapareceu nas águas profundas. Passou-se um bom tempo sem que ele reaparecesse. Todos diziam que teria se afogado, e Minos, irônico, acrescentou: “Que pena! O Minotauro comerá um a menos”. Mas Ariadne, filha de Minos, que também estava entre os presentes, encobriu o rosto e secretamente enxugou as lágrimas. Prestara atenção em Teseu desde o primeiro momento, e sua ousadia a havia comovido. De imediato, um forte amor se aninhou dentro dela, quando uma flecha de Eros, o filho alado da deusa, Afrodite, trespassou-lhe o coração. Por isso sofria.

Teseu, entretanto, não estava perdido. Assim que mergulhou na água, golfinhos o apanharam e conduziram-no sem demora até o palácio do deus marítimo, Poseidon, o abalador da Terra, irmão de Zeus e nada inferior em força ao deus portador dos raios.

Em um majestoso trono, semelhante a uma imensa concha, sentava-se o deus que governa as ondas. Ao seu lado estava a belíssima Anfitrite, esposa do eminente deus. Perto deles encontravam-se Tríton e muitas outras divindades marinhas.

Poseidon recebeu Teseu com afeto e, assim que ouviu o porquê de ele ter descido ao seu reino aquático, ordenou a Tríton que trouxesse o anel rapidamente. O deus marinho não demorou a voltar, juntamente com uma multidão de nereidas. Uma delas trazia o anel e o entregou a Teseu. Imediatamente Anfitrite colocou sobre os cabelos de Teseu uma coroa de ouro, e Poseidon, ciente de que o herói não devia se demorar, ordenou a Tríton e às nereidas que o conduzissem à praia.

Teseu saiu do mar no momento em que todos se preparavam para ir embora. De repente alguém gritou: “Teseu! Teseu está vivo!” Minos não ousava crer em seus próprios olhos! Além de não ter se afogado Teseu usava uma coroa na cabeça, toda de folhas de ouro! Mas o rei de Creta ficou ainda mais surpreso quando recebeu o anel. Percebeu que Teseu não era um mortal comum, e teve medo. Por isso, disse ao seu séquito que o herói deveria ser o primeiro a ser devorado pelo monstro biforme. Ao ouvir isso, Ariadne ficou mortificada. Tinha pena dos outros rapazes e moças, mas ouvir tais palavras sobre Teseu era como se um punhal lhe atravessasse o coração.

Minos ordenou que levassem Teseu ao Labirinto na manhã seguinte para ser devorado pelo Minotauro.

Quando a inquietação de Ariadne já chegava ao seu ápice, ela lamentou. Ariadne pousou a cabeça sobre o ombro de sua irmã, Fedra, para ocultar seus olhos lacrimosos. Então contou tudo que sentia à irmã e lhe pediu ajuda, um meio de salvá-lo. Fedra não acreditava que seria possível salvá-lo, disse que nem Dédalo o conseguiria. Nesse momento, Ariadne se alegrou e correu para a oficina do grande artífice, que era sua última esperança.

Dédalo era o arquiteto ateniense que construiu o Labirinto. Mas, além de ser um grande arquiteto e artista, era também sábio e engenhoso como nenhum outro no mundo. Ariadne pediu por ajuda e Dédalo consentiu, pois também queria salvar seus conterrâneos.

O Minotauro no labirinto Conimbriga

O Minotauro no labirinto Conimbriga

– Então escute-me. – disse ele. – Junto com os jovens está também Teseu, filho do rei de Atenas. Teseu é um grande herói. Matou saqueadores, bandidos e monstros. Creio que poderá matar também o Minotauro. A grande dificuldade não está nisso, mas em como ele poderá sair do Labirinto. Eu o construí a mando de Minos, mas jamais imaginei que se tornaria morada de um monstro! O Labirinto é uma obra muito estranha. Seus corredores, galerias, escadas, portas, e todos os seus espaços foram construídos de tal maneira que é fácil entrar e chegar ao centro, mas é totalmente impossível sair do edifício depois. Já tenho a solução para isso, entretanto, é preciso que alguém se encontre secretamente com Teseu. Não vejo outra pessoa que não você! Tome este novelo. Ache uma maneira de entregá-lo a Teseu sem que a vejam, diga-lhe que amarre uma das pontas junto à entrada e prossiga desnovelando a lã. Enrolando novamente o novelo, ele achará a saída e não se perderá.

Depois de ouvir cuidadosamente as instruções de Dédalo, Ariadne, com o novelo escondido debaixo do braço, correu para encontrar Teseu:

– Sou filha de Minos – disse-lhe. – Meu nome é Ariadne e, por mais estranho que lhe possa parecer, não quero que pereça. Preferiria morrer se você morresse.

Teseu ficou surpreso, mas logo se lembro de que havia pedido a ajuda de Afrodite e compreendeu prontamente. Olhou para Ariadne. Era belíssima, como uma deusa. Admirou sua coragem, ficou maravilhado com sua beleza e também se apaixonou. Disse a ela para que ficasse tranquila, pois ele mataria o monstro e voltaria vivo para Atenas. Ariadne, então, entregou o novelo para Teseu e repassou as instruções que recebera de Dédalo.

Theseus and The Minotaur 4

O herói ficou entusiasmado. Pela manhã, assim que foi colocado no Labirinto, amarrou a ponta do fio na entrada, conforme Ariadne instruíra, e prosseguiu desenrolando-o. O caminho dentro do Labirinto era interminável e confuso. Teseu seguia ora pela direita, ora pela esquerda; ora retrocedia, ora avançava; subia e descia… Assim Teseu caminhou por muito tempo, até que, de repente, onde menos esperava, topou com o Minotauro!

A luta começou no mesmo instante! O terrível monstro investia com os chifres contra Teseu, que, muito ágil, esquivava-se, golpeando-o no flanco com a espada. Os golpes pouco dano causavam ao Minotauro, que arremetia contra o herói incessantemente. Teseu, sem nada sofre, desviava-se de todos os ataques do touro. Num dado momento, o monstro, visivelmente extenuado, quis tomar fôlego. Teseu não perdeu a oportunidade: agarrando-o pelos chifres com uma força extraordinária, arremessou-o ao chão e cravou-lhe mortalmente a espada.

O herói olhou o cadáver do Minotauro, enxugou o suor da testa e pensou: “Agora só me resta encontrar a saída”. Então começou a empreitada, tornando a enrolar o novelo. Felizmente ele o tinha, porque, se algo lhe dizia que devia seguir por um lado, o fio o conduzia por outro. Quando novamente achava que determinado caminho era o certo, o fio indicava outro. Perplexo, Teseu não podia entender por que o fio o conduzia por entre passagens tão inusitadas, até que avistou a saída.

Ariadne o esperava sozinha. Por sorte, Minos não havia se preocupado em convocar sentinelas. Chorando de alegria, a filha de Minos caiu nos braços de Teseu, que não tinha palavra para agradecer. Apenas entregou-lhe o novelo, o “fio de Ariadne”, como ficou conhecido desde então.

Em seguida, foram correndo encontrar os outros, mas a prisão onde estavam os jovens não estava desprotegida. Teseu assobiou três vezes. Ao ouvirem da prisão os assobios, os jovens de um salto se puseram em pé. Todos juntos se lançaram impetuosamente sobre a porta, arrebentando-a. Os sentinelas correram para verificar o que era e viram duas garotas saindo. Foram tentar empurrá-las de volta, mas levaram socos tão fortes, que desmoronaram no chão. Vieram correndo também os guardas, mas com eles aconteceu o mesmo, porque “as garotas” eram os dois rapazes vestidos de mulher. Logo veio também Teseu, de espada em punho, mas nada precisou fazer… Tudo havia terminado e, correndo, chegaram à praia, que, àquela hora, estava deserta. Na areia, todos os navios cretenses; na água, apenas o de Teseu.

Teseu e Minotauro

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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