Teseu contra o Minotauro: preliminares

Após a exigência de Minos, os atenienses se preparavam para cumpri-la. O Minotauro era antropófago, com cabeça de touro e corpo de homem, vivia no interior do Labirinto, um edifício muito complexo e tão vasto que quem lá entrasse não podia mais encontrar a saída. Estava próximos os dias em que, pela terceira vez, os atenienses enviariam para Creta os sete rapazes e as sete moças para servirem de repasto ao Minotauro.

Chegou o dia em que deviam ser escolhidos os jovens, e Teseu de nada sabia, pois Egeu havia proibido que lhe dissessem qualquer coisa sobre o tributo sangrento. Porém, o lamento que se espalhava pela cidade fez com que ele ficasse desconfiado e saísse às ruas, perguntando a todos que encontrava o que estava se passando. Todos baixavam a cabeça e nada respondiam. Até que um pai, infeliz porque o filho estava entre os jovens que partiriam para Creta, não pôde se conter mais e gritou: – Já chega de escárnio! Por que o filho de Egeu é preservado enquanto os nossos são devorados pelo Minotauro?

Teseu não podia acreditar em seus ouvidos! Em pouco tempo, uma multidão se aglomerava no local. O jovem herói exigiu que lhe contassem tudo e, então, ficou sabendo a verdade. Declarou que também iria para Creta e que ou pereceria junto aos demais ou livraria para sempre Atenas desse macabro imposto de sangue.

Quando Egeu tomou conhecimento do que tinha acontecido, entrou em pânico. Tentou impedir o filho de fazer o que devia e não conseguiu. Foi obrigado a suportar a sua dor.

Teseu tomou seu lugar entre os sete rapazes. A primeira coisa que teve que fazer foi escolher outros dois moços, entre os mais intrépidos de Atenas – tão fortes que poderiam matar uma pessoa com um único golpe. Vestiu-os como mulheres e colocou-os no lugar de duas moças, que, então, mandou embora. A fim de que ninguém percebesse a farsa, ensinou-lhes a andar de maneira feminina e os penteou como meninas. Quando tudo estava pronto, foram todos juntos ao templo de Apolo para oferecer ao deus de cabelos dourados “o ramo dos suplicantes”, um galho de oliveira com fitas brancas. Quando Teseu perguntou ao oráculo qual era o deus a quem devia pedir ajuda, recebeu a resposta de que deveria pedir ajuda a Afrodite, deusa do amor, que lhe fosse guia e auxiliadora. E assim foi.

Chegou a hora dos jovens partirem para Creta. Teseu tentava encorajá-los. Dizia aos rapazes e às moças que não tivessem medo, porque, daquela vez, ninguém morreria. Da mesma maneira, dava ânimo aos atenienses e tentava tranquilizar os pais dos jovens. Entretanto, a lamentação não cessava, pois ninguém acreditava que os rapazes e as moças se salvariam. Ao mesmo tempo, eram muitos os que agora estavam mais tristes ainda, pensando que Teseu, orgulho e esperança de Atenas, morreria.

O rei Egeu, por um lado, estava sem esperança; por outro, encorajado por Teseu, ainda acreditava em algum milagre. Assim como das outras vezes, o navio partiria com velas negras, em sinal de desgraça e morte. Egeu deu ao filho também uma vela branca, para que ele trocasse na volta, se, evidentemente, eles voltassem com vida.

Os jovens embarcaram no navio que, por mais estranho que possa parecer, não era ateniense. A cidade que viria a se tornar fortíssima potência naval não tinha, até então, nenhum navio. Sequer marinheiros atenienses havia. Porém, um capitão ilhéu, de nome Féax, ofereceu-se para levá-los a Creta com o seu navio. Felizmente, pois, de outro modo, seria preciso que tomassem um navio cretense, uma vez que Creta era uma das poucas cidades que contavam com um bom número de naus. E isso, Teseu não queria de modo algum, pois dificultaria muito seu plano, que não era apenas matar o Minotauro, mas também reconduzir todos de volta a Atenas.

Referência:

STEPHANIDES, M. Teseu, Perseu e outros mitos. Trad. POTZAMANN, J. R. M. São Paulo: Odysseus, 2004.

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