Quíron

Quíron e Aquiles, ânfora ática ~520a.C, Museu do Louvre, França.

Quíron e Aquiles, ânfora ática (~520a.C.), Museu do Louvre, França.

Quíron, em grego Χείρων (Kheíron), nome que é, possivelmente, uma abreviatura de χειρουργός (kheirourgós), “que trabalha ou age com as mãos”, cirurgião, pois esse centauro foi um grande médico, que sabia muito bem compreender seus pacientes, por ser um médico ferido.

Filho de Chronos e Fílira, pertencia à geração divina dos Olímpicos. Pelo fato de Chronos ter-se unido a Fílira sob a forma de um cavalo, o Centauro possuía dupla natureza: equina e humana. Fílira era filha do Oceano e fora seduzida por Chronos. Um dia, estavam ambos terminando o ato amoroso, quando foram surpreendidos por Reia, esposa do mesmo. Este, imediatamente, fugiu sobre a forma de cavalo. Fílira, cheia de vergonha, escondeu-se nas florestas da montanha, onde, passado o tempo, deu à luz um Centauro, o famoso Quíron. À vista do monstro que dela nascera, metade homem, metade cavalo, experimentou a mãe tamanha dor, que suplicou aos deuses que dela se apiedassem e a metamorfosearam. Os imortais atenderam-na e foi transformada em tília, árvore em Grego chamada φιλύρα.

Quíron passou a sua primeira juventude nas florestas e nas montanhas. Vivia numa gruta, situada ao pé do monte Pélion, e era um gênio benfazejo, amigo dos homens. Tornou-se amigo de Ártemis e com ela costumava caçar, indicando-lhe os lugares onde se acolhiam os animais que a deusa desejava matar. Ao contrário dos demais Centauros, possuía uma inteligência brilhante, e o convício com Ártemis trouxe-lhe grandes vantagens. Com ela aprendeu o conhecimentos dos símplices e das estrelas. Sábio, ensinava música, a arte da guerra e da caça, a moral, a astronomia, mas sobretudo medicina. Foi o grande educador de heróis, entre outros, de Jasão, Héracles, Peleu, Teseu, Aquiles e Asclépio.

Centaur. The cenataur Chiron with the goddess Diana-Artmeis holding twoe plants of the genus Artemisia. Bodleian Library, MS. Ashmole 1462, Folio 18r.

Quíron e Ártemis

Na guerra que Héracles moveu contra os centauros, Quíron, que estava do lado do herói e era seu amigo, foi acidentalmente ferido, na perna, por uma flecha envenenada, a qual o filho de Alcmena, ao realizar o segundo trabalho, embebera no veneno da Hidra de Lerna. O Centauro aplicou unguentos sobre o ferimento, mas era incurável. Recolhido à sua gruta, Quíron desejou morrer, mas nem isso conseguiu, porque era imortal. O infeliz, passou anos de agonia sofrendo dores intoleráveis, pediu a Zeus que desse término ao suplício abreviando-lhe os dias. Zeus atendeu a súplica do centauro, mas não deixou que o deus da morte o levasse para as profundezas do inferno. Conta-se que Quíron subiu ao Céu sob a forma da constelação de Sagitário, uma vez que a flecha, em latim sagitta, a que se assimila o Sagitário, estabelece a síntese dinâmica do homem, voando através do conhecimento para sua transformação, de ser animal em ser espiritual. Quíron passou à posterioridade com a alcunha de “o Sábio”.

Conforme outra versão, quando o Centauro examinava as flechas de Héracles, por acaso uma escapou-lhe das mãos e veio a feri-lo no pé. Todos os remédios foram impotentes para acalmar-lhe a dor. Dotado pelos deuses com o dom da imortalidade, não podia morrer; pediu e obteve que sua imortalidade fosse dada a Prometeu.

Há ainda outra versão. Segundo Plínio, o centauro Quíron curou-se da ferida com a planta depois chamada de centáurea.

Bronze Kheiron, the immortal son of the Titan Kronos and a half-brother of Zeus. Kheiron mentored many of the great heroes, including Jason and Akhilleus - Constellation Sagittarius.

Referências:

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega v.2. Petrópolis: Vozes, 2009.

SPALDING, T. O. Deuses e Heróis da Antiguidade Clássica: dicionário de antropônimos e teônimos vergilianos. São Paulo: Cultrix,1974.

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, Marylene P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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Uma opinião sobre “Quíron

  1. Paulo Sérgio Alves

    O que mais me chamou atenção neste mito é o fato dele ser médico e contrair um mal que ele mesmo não podia curar. Amo estes ‘paradoxos’ da existência que a mitologia sabe muito bem captar.

    E parabéns por mais um texto.

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