III. As aves do Estínfalo

Guiado por Hera mais uma vez, Euristeu mandou que Héracles destruísse as Aves do lago Estínfalo.


Sobre as Aves do Estínfalo: Aves de rapina horrorosas que viviam, no lago Estínfalo, causando enormes prejuízos aos campos circunvizinhos. Suas asas eram de bronze; seus bicos e suas garras, de ferro, e elas eram imensas e sanguinárias. Nenhum homem ou animal podia se aproximar do lago porque, assim que os viam, as aves despejavam penas de bronze pesadas e afiadas como flechas, depois mergulhavam sobre suas vítimas feridas e as devoravam.


O herói seguiu para o lago, acompanhado de Iolau. Como anteriormente, ele estava protegido pela pele do leão. O jovem, por sua vez, carregava um escudo enorme. Quando chegaram ao lago Estínfalo, tudo estava silencioso sem nenhum sinal das aves, contudo no solo havia penas grandes, algumas cravadas na terra. Héracles pegou uma e percebeu que era feita de bronze sólido, mas não se preocupou, estava bem protegido.

A dificuldade era que todas as aves estavam em seus ninhos. Finalmente apareceram duas. Lançaram algumas penas, mas não tiveram tempo para ajustar a pontaria. Duas flechas de Héracles derrubaram-nas do céu, e elas foram tragadas pelas águas do lago.

Derrubar algumas aves não resolveria o problema. A região tinha que ficar livre delas para sempre. Enquanto o Héracles examinava o local, ouviu-se um baque de algo caindo no chão, atrás dele. Um momento depois, ouviu-se outro. Duas grandes matracas de bronze caíram do céu. Eram semelhantes às matracas de madeira que os camponeses usavam para espantar os pássaros de suas plantações. Atena havia enviado-as para ajudar o herói. Héracles e Iolau começaram a girar as matracas no ar. O barulho que faziam era terrível. As aves do Estínfalo, aninhadas nas pedra vizinhas, alarmadas, levantaram voo e, grasnando, voaram em círculo. Num instante o céu ficou cheio das horríveis criaturas e, ao barulho das matracas, juntaram-se o estrondo das asas de bronze e os ásperos gritos que saíam de suas gargantas. Era um caos de sons horrendos.

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Héracles e Iolau largaram as matracas. O herói pegou seu arco, e nenhuma de suas flechas errou o alvo. Muitas delas chegaram a derrubar duas aves de uma vez só, porque o veneno da hidra no qual suas pontas tinham sido mergulhadas, num mero arranhão inoculavam o suficiente para matar. As aves caíam mortas do céu, algumas para serem engolidas pelas águas verdes do lago, outras chocando-se contra os juncos, outras, ainda, batendo contra os penhascos.

Com o seu arco, Hércules espalho a destruição entre as aves, que tentavam inutilmente atingir os dois homens, provocando uma chuva de dardo de metal, mas tanto Héracles como Iolau estavam protegidos. Em pouco tempo, toda a área ficou coberta pelos corpos e, então, as aves restantes, piando de medo, levantaram voo e desapareceram no horizonte. Foram para uma ilha deserta do Mar Negro e nunca mais voltaram. O lago Estínfalo estava limpo e seguro outra vez e, com a partida dos monstros voadores, os sorrisos voltaram aos lábios das pessoas que viviam ali.

Como já era de se esperar, havia um par de lábios para os quais o feito não trouxe sorriso algum. Euristeu teve uma crise de raiva quando soube que Héracles voltava vivo. Hera confortou-o com as seguintes palavras: Héracles tem doze trabalhos para realizar e ele só realizou três. Você pode estar certo de que em algum ele encontrará a morte.

Pájaros Estínfalo

Referência:

STEPHANIDES, Menelaos. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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