I. Leão de Nemeia

Euristeu, rei de Micenas, era o encarregado de escolher as tarefas a serem realizadas por Héracles. Ele queria escolher algo tão perigoso e difícil de ser cumprido de forma que o herói jamais retornasse com vida. Após muito pensar, o rei fatigado caiu no sono. Enquanto sonhava, Hera apareceu e indicou para onde Héracles deveria ser mandado. Assim que acordou, Euristeu ordenou ao seu arauto, Copreu, que transmitisse a mensagem de que o primeiro trabalho seria matar o Leão de Nemeia. Héracles logo partiu para sua empreitada.


Sobre o Leão de Nemeia:
Leão enorme e aterrorizante que viva nas florestas de Nemeia. Seu tamanho era inacreditável, seus rugidos eram tão estrondosos quantos os raios de Zeus, sua força equivalia à força de dez leões comuns e sua pele era tão dura que nenhuma flecha, lança ou espada, por mais afiada que fosse, podia perfurá-la. O animal era filho de Tífon, o monstro que lutara contra o próprio Zeus, e da igualmente temível, Equidna, metade mulher, metade serpente. Seus irmãos eram a Hidra de Lerna, Cérbero, Quimera, a Esfinge e outros monstros horrendos, temidos até pelos deuses.


No caminho, Héracles encontrou um homem pobre chamado Mórloco, que se preparava para fazer um sacrifício aos deuses. O filho de Zeus então disse ao homem para que não fizesse o sacrifício ainda, contou-lhe sobre a tarefa de matar do Leão de Nemeia e pediu-lhe para que esperasse por seu retorno durante trinta dias. Caso ele não voltasse nesse período, o sacrifício seria também em honra à alma de Héracles. Dito isso, partiu para as montanhas sempre observando tudo atentamente. Encontrou uma oliveira silvestre de tronco maciço e resistente fazendo dele uma nova clava.

Após caminhar mais um pouco, fez uma pausa, pois lhe ocorreu que seria necessário resguardar toda a sua força para enfrentar o leão. Então foi para um lugar sossegado e ali dormiu por dez dias e dez noites. Acordou renovado e continuou a busca pelo animal. Caminhou por vários dias até encontrar um rastro de pegadas. Caminhou por mais vários dias, atravessou montanhas e finalmente topou com o leão. Héracles se escondeu atrás dos arbustos e posicionado pegou seu arco atirando um flecha na fronte do animal, que não sentiu nada. Atônito, pegou outra flecha e, disparando com o dobro de força, acertou-o na garganta. O intento foi mais uma vez sem sucesso. O leão que descansava por ali com um ar de tédio, levantou-se e foi embora tão rápido que o herói o perdeu de vista imediatamente.

Héracles examinou o lugar e logo encontrou o covil da criatura. Como já havia anoitecido, o herói escondeu-se atrás de uma rocha grande e pôs-se a esperar pelo animal que provavelmente só sairia ao amanhecer. Não foi o que ocorreu. Já era de tardinha e nada do leão quando, de repente, ouviu um poderoso rugido. Com um pouco de esforço foi possível ver o leão na montanha vizinha. Héracles ficou se perguntando como o animal tinha passado por ele, e ficou por três dias e três noites de guarda na entrada da cova, mas sem êxito. Quando já estava indo procurar na floresta, o leão, saindo da caverna, passou por ele e sumiu na mata. Só nesse momento lhe ocorreu que a caverna possuía outra entrada.

Quando se deu conta que o covil tinha duas entradas, Héracles encontrou e obstruiu a segunda entrada com grandes pedras e em seguida retornou para o seu posto. Não passou muito tempo e foi possível para ouvir os ferozes rugidos da criatura ensandecida quando se deparou com a sua passagem bloqueada. Instantes depois o leão passou correndo para dentro da sua morada a fim de liberar a outra entrada. Héracles que estava há dias no encalço da criatura leonina não podia permitir que a mesma fugisse novamente. Olhou ao redor, pegou alguns galhos secos, inflamou-os e arremessou-os caverna adentro.

O monstro logo surgiu com os olhos irritados por causa da fumaça e Héracles, que estava de prontidão, pegou sua clava e desferiu um golpe no crânio do animal com toda a força que possuía. A clava feita do tronco da oliveira ficou em pedaços. O leão estava um pouco atordoado. Essa era a chance que o herói precisava e sem perder tempo enlaçou o pescoço do monstro, que não resistiu por muito mais tempo e morreu sufocado. O primeiro trabalho estava quase concluído. Héracles precisava levar a prova do seu feito para o rei Euristeu. Pensou em levar o leão sobre os ombros, mas o caminho era longo e seria difícil voltar para Micenas carregando aquele enorme corpo. Astucioso, arrancou uma das garradas do animal e usou para cortar e retirar a pele indestrutível que ele jogou nas costas como se fosse um manto.

Estava na hora de regressar à Micenas. Na volta, ele avistou Mórloco preparando o sacrifício, pois já estava completando o trigésimo dia da partida de Héracles. Ele logo foi ao encontro de seu amigo para falar sobre a sua vitória sobre o Leão de Nemeia. Mórloco chorou de alegria ao ver que o herói voltou bem e que aquele monstro não causaria mais nenhum mal. Os dois cearam e realizaram um sacrifício em honra ao pai dos deuses e dos homens, Zeus. Héracles se despediu de Mórloco e seguiu rumo à Micenas.

 O herói apareceu nos portões do palácio coberto da cabeça aos pés com a pele do leão. Quando Euristeu pôs os olhos nele, tremeu de medo. Os guardas levaram a pele do leão para que o rei a visse e seu medo foi tanto que ele desfaleceu. Ao recobrar a consciência, ordenou para que entregassem a pele à Héracles, pois não queria vê-la outra vez.

 

Leão de Nemeia

Héracles sufocando o leão

Referência:

STEPHANIDES, M. Hércules. Trad. MICHAEL, M. P. São Paulo: Odysseus, 2005.

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